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Rogério Gentile

Repórter de TV vira réu em outra acusação de importunação sexual

Gérson de Souza (Reprodução) - Reprodução
Gérson de Souza (Reprodução) Imagem: Reprodução
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

26/10/2021 10h15

O repórter Gerson de Souza passou a ser réu em uma segunda acusação de importunação sexual a uma colega de trabalho no Domingo Espetacular, da Rede Record.

Em agosto do ano passado, o repórter foi denunciado pelo Ministério Público por importunação sexual contra quatro funcionárias da emissora, mas apenas uma das acusações havia sido aceita pela Justiça.

Em nova decisão, no entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo concordou com o recurso apresentado pela Promotoria, e o jornalista também vai responder criminalmente pela acusação feita por uma produtora do programa.

À coluna, o advogado Leonardo Magalhães Avelar, que representa o jornalista, disse que vai recorrer e ressaltou que o TJ manteve a decisão do juiz de primeiro grau que rejeitou a denúncia em relação a duas das mulheres que acusam Gerson .

A produtora do programa disse ao Ministério Público que trabalhava diariamente com Gerson e que ele constantemente lhe dizia frases como "Sua gostosa", "Sua delícia", "Com essa roupa que você está usando, o que vai fazer quando sair daqui?".

Ela afirmou que, quando chegava à Redação, o repórter lhe cumprimentava com um beijo no rosto, próximo da boca, atitude que abominava e que a enojava. De acordo com o relato, ele também colocava a língua para fora, simulando a prática de sexo oral.

Em outras situações, disse a produtora, Gerson apertava seu braço e dizia: "Sabe por que eu gosto de apertar essa parte do braço? Parece a pele da bunda, então, é como se eu estivesse apertando a sua bunda".

A desembargadora Fátima Gomes, relatora do caso no TJ, afirmou na decisão que os atos praticados pelo repórter, "em tese", se enquadram no crime de importunação sexual (artigo 215-A do Código Penal, que prevê pena de reclusão de 1 a 5 anos). Com o processo aberto, o repórter terá prazo para se defender e a Justiça analisará as provas apresentadas e o depoimento de eventuais testemunhas.

Na época em que as acusações vieram à tona, Gerson disse ter ficado perplexo. Em nota, afirmou que sempre foi um homem que respeita seus colegas, independentemente de gênero. "No momento posso apenas dizer que o que está sendo dito sobre mim não é verdade e que confio no trabalho da polícia para esclarecer os fatos", afirmou.

"Qualquer pessoa que me conhece ou que já trabalhou comigo sabe que não ofenderia ou deixaria alguém desconfortável. Tenho certeza de que nunca agi de maneira ofensiva e sinto profundamente caso, em algum momento de minha trajetória de 42 anos no jornalismo, algum dos meus colegas tenha se sentido desrespeitado", escreveu, na nota, e completou: "Sou pai de cinco filhas e avô de quatro netas, e é essencial para mim que mulheres tenham um ambiente de trabalho seguro".

Gerson foi demitido pela emissora em outubro do ano passado, quando virou réu na primeira acusação.