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Rogério Gentile

Eduardo Bolsonaro perde processo para youtuber que disse querer a sua morte

Eduardo Bolsonaro  - Divulgação
Eduardo Bolsonaro Imagem: Divulgação
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

29/11/2021 09h32

A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de indenização por danos morais feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) contra o youtuber Henrique Marques de Almeida, o MarquesZero.

Em maio do ano passado, o youtuber publicou um post dizendo que "queria tuitar pedindo a morte de Eduardo Bolsonaro." Na sequência, afirmou, ironicamente, que isso é contra as regras do Twitter. "Então, eu nunca tuitarei pedindo para alguém matar a família Bolsonaro. É crime, não tuitem que alguém deveria matar o presidente."

Eduardo disse à Justiça que Marques, "ao esconder suas palavras sob o manto da ironia", fez exatamente o contrário, incitando o crime. Na ação, o filho de Bolsonaro disse que o youtuber tratou com escárnio a imagem do presidente e lembrou que ele foi esfaqueado na campanha eleitoral de 2018, "quase sucumbindo a tal atentado".

Marques, que à época da publicação tinha cerca de 235 mil seguidores no Twitter, defendeu-se no processo afirmando que apenas usou o humor e a ironia para manifestar seu descontentamento em relação à atuação do parlamentar.

"O tuíte é carregado de ironia e se deu em um contexto de crítica à figura do parlamentar, cuja atuação truculenta em defesa da ditadura e do autoritarismo suscita forte repulsa no requerente e em grande parcela da sociedade", declarou sua defesa no processo. "O fato é que a publicação não teve qualquer outra intenção a não ser a de criticar o parlamentar."

O juiz Anderson Fabrício da Cruz concordou com a argumentação do youtuber. "Pessoas públicas como o autor [do processo], especialmente aquelas ocupantes de cargos públicos de natureza representativa, estão sujeitas a críticas e a um escrutínio mais severo dos demais cidadãos", afirmou na sentença.

"Ainda que seja compreensível a revolta do deputado, considerando o atentado sofrido por seu genitor, o tom irônico e debochado da publicação, por si só, não gera o dever de indenizar, pois não ultrapassou os limites do exercício do direito constitucional à liberdade de opinião e de livre manifestação do pensamento", declarou.

Eduardo, que exigia uma indenização de R$ 5 mil, ainda pode recorrer da decisão.

O advogado Erick Santos, que representa o youtuber, afirma que o processo é um exemplo do assédio judicial praticado pelos Bolsonaro contra as pessoas que os criticam. "Eles usam a máquina do Judiciário para tentar intimidar os críticos."