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Rogério Gentile

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Motoboy acusa iFood de plagiar recado fofo da filha e perde na Justiça

Motoboy anda com recado da filha - Reprodução/Twitter
Motoboy anda com recado da filha Imagem: Reprodução/Twitter
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

14/06/2022 10h45

Em 2020, um cartaz feito pela filha do motoboy Bruno Mahler Schneberger Junior viralizou na internet. A mensagem, anexada na sua bolsa de entregas, dizia: "Motorista, cuidado com o meu papai. Eu amo ele mil milhões. Ass: Lagartixa".

A repercussão foi tão grande que pai e filha foram entrevistados em programas de televisão, e o IFood acabou promovendo uma publicidade inspirada na cena. No vídeo da empresa, um cartaz nas costas de um motoboy dizia: "Cuidado com meu papai, motorista!"

Acusando a empresa de plágio, o motoboy recorreu à Justiça exigindo uma indenização por danos morais de R$ 100 mil.

"O iFood não obteve nenhuma autorização para reprodução do desenho. A empresa se beneficiou de toda a história, sem ao menos reconhecer a verdadeira autoria [da ideia], sem dar o devido crédito pela criação e divulgação da imagem."

O motoboy afirma que a semelhança é tanta que amigos chegaram a parabenizá-lo imaginando que ele tivesse sido contratado pelo iFood para atuar na peça publicitária.

Na defesa apresentada à Justiça, o IFood afirmou que não houve plágio. Argumentou que as palavras utilizadas na propaganda são de uso comum ("motorista", "pai" e "cuidado") e que o bilhete da garota não era uma obra literária.

"Ainda que se vislumbre alguma semelhança entre os bilhetes, é impossível afirmar a ocorrência de plágio, pois não há nos autos do processo nenhuma obra literária capaz de invocar este instituto", declarou a empresa à Justiça.

O iFood afirmou no processo que a prática de se divulgar bilhetes nas mochilas de entrega é extremamente comum entre os motoboys.

"Não há ineditismo, não há uma criação genuína. Há uma semelhança do bilhete, o qual retrata uma prática comum entre os motoboys que realizam entregas".

A Justiça deu razão à empresa em primeira instância e em segunda.

Em decisão publicada no último dia 10, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou que não houve violação de direitos autorais.

"Apesar de a campanha publicitária criada ter se inspirado no desenho da garota, esse desenho não possui a originalidade necessária para ser considerado como uma criação artística", afirmou o desembargador Ademir Modesto de Souza, relator do processo.

"Trata-se de mensagem comumente inserida nas mochilas por entregadores de motocicleta, não possuindo a criatividade necessária ao reconhecimento de obra artística", declarou.

O motoboy ainda pode recorrer da decisão.