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Rogério Gentile

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Assessor de Bolsonaro chamado de neonazista perde processo para jornalista

Filipe Martins, ao fundo - Reprodução de vídeo
Filipe Martins, ao fundo Imagem: Reprodução de vídeo
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

20/06/2022 10h54

A Justiça paulista rejeitou o pedido de indenização por danos morais feito por Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, contra o jornalista Fabio Pannunzio.

Em março de 2021, durante uma sessão no Senado Federal, Martins fez um gesto com a mão direita que foi interpretado por políticos e jornalistas como sendo a reprodução de um símbolo dos supremacistas brancos, no formato "WP" (white power, poder branco).

Esse gesto, que, tradicionalmente nos Estados Unidos é uma referência à palavra "ok", passou a ser utilizado nos últimos anos por grupos extremistas, o que o levou a ser adicionado a uma lista de símbolos de ódio pela Liga da Antidifamação, organização americana que monitora crimes dessa natureza.

Os três dedos esticados simbolizam a letra "w", e o círculo formado pelo dedo indicador e pelo polegar, a letra "p".

Em post no Twitter, o jornalista, que foi apresentador da Rede Bandeirantes, chamou a assessor de "neonazista".

No processo aberto contra Pannunzio, Martins disse que estava apenas arrumando a lapela do seu paletó e que "jamais reproduziria um símbolo supremacista, que faz apologia ao nazismo ou ao fascismo, até por ser pessoa de ascendência judaica, que possui total aversão à referida corrente ideológica". Ele queria uma indenização de R$ 45 mil.

Os advogados do assessor de Bolsonaro lembraram na ação que, denunciado pelo Ministério Público em função do gesto, Martins foi absolvido pela Justiça Federal.

"Desta forma, verifica-se que o ato praticado não constituiu crime, e, mesmo assim, foi injustamente injuriado, difamado e caluniado por Fabio Pannunzio com o termo 'neonazista'".

A juíza Leila da Ponte rejeitou o pedido de indenização.

"No atual cenário vivido pela sociedade, as redes sociais são palco da exteriorização de informações e opiniões. Nesse vértice, diante da repercussão geral com o gesto realizado pelo autor, o jornalista se manifestou expressando a sua opinião sobre o evento ocorrido, o que é condizente com o seu exercício à liberdade de expressão", declarou na sentença.

Martins ainda pode recorrer da decisão.