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Nas mesas de aposta de Brasília, Guedes e Regina disputam quem cai primeiro

Regina Duarte com o presidente Jair Bolsonaro e seu padrinho no governo, o general Luiz Eduardo Ramos - Reprodução/Facebook
Regina Duarte com o presidente Jair Bolsonaro e seu padrinho no governo, o general Luiz Eduardo Ramos Imagem: Reprodução/Facebook
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

10/03/2020 04h00

No início deste mês, 3 de março, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deu 15 semanas para o governo e o Congresso mudarem o Brasil. O prazo expira em meados de julho, quando começa o recesso parlamentar.

A declaração soou como uma ameaça, já que, em vezes anteriores, Guedes declarou que poderia "pegar o boné" e ir embora. Isso o tornou o que se chama de "pule de dez", uma barbada, nas mesas de apostas sobre qual o próximo ministro a deixar o cargo.

Mas eis que em meio ao noticiário sobre estagnação da economia, crise nas bolsas, disparada do dólar e derrubada do preço do petróleo, apareceu a nova secretária da Cultura, Regina Duarte, para disputar com Guedes quem deixa antes o cargo.

As bolsas de apostas de Brasília entraram em frenesi.

A ex-namoradinha do Brasil, ex-musa dos bolsanaristas e ex-candidata a estrela das manifestações do próximo domingo passou a dividir com o ministro o protagonismo nas apostas quando apontou os seguidores de Olavo de Carvalho como "uma facção" dentro do governo.

E Regina Duarte atacou o guru do presidente Jair Bolsonaro e filhos justamente numa entrevista no programa Fantástico, da arqui-inimiga TV Globo, neste domingo. Ela já não vinha bem com os bolsonaristas quando defenestrou da Secretaria alguns integrantes do grupo logo ao tomar posse.

A resposta ao Fantástico deste domingo veio logo na segunda feira. No melhor estilo olavista:

Reprodução
Imagem: Reprodução

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), é o filho que o presidente da República chama de "meu pitbull". Ele que cuida das redes sociais do presidente. Pois agora Carlos está apontando as mandíbulas tanto para Guedes como para Regina e os militares do Planalto que a indicaram para o cargo.

Carlos começou a tornar menos cifradas suas mensagens no Twitter. Ontem, atacou abertamente o liberalismo defendido por Guedes:

E o que chama de "isentões", grupo em torno do governo que ele considera adversário e que daria sustentação a Regina Duarte e Guedes:

No dia anterior, voltou a dar mordidas naqueles que cercam o presidente no Planalto - uma indireta aos generais do Palácio. O alvo principal é o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Vale lembrar a força das dentadas do pitbull: ele foi o responsável pelas demissões do antecessor de Ramos na Secretaria de Governo, general Santos Cruz, e do secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, depois que resolveu detoná-los publicamente.

Ramos foi obrigado a dar um passo atrás. Veio publicamente no Twitter repreender sua queridinha secretária de Cultura:

Carlos Bolsonaro é acusado de provocar crises no Planalto. Mas seus posts mostram que ele se vê, na verdade, como um guerreiro disposto a dar a vida para defender o pai de tudo o que possa abalar o governo.

Guedes foi aceito enquanto se mostrava eficiente na função de "Posto Ipiranga", a abastecer de energia a economia e, portanto, a expectativa de poder e as urnas eleitorais.

Mas passou a se candidatar a inimigo público número um do filho Zero-dois, na medida em que a economia dá sinais de fracasso, como está ocorrendo agora, ameaçando a sobrevivência do governo.

Outros ministros, como Abraham Weintraub (Educação) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), já estiveram até em situação pior do que a de Guedes e Regina Duarte.

Agora não mais.

As baterias do bolsonarismo estão apontadas para a secretária e também preparadas para atirar no ministro. Essa é a prioridade.

Em guerra, a facção mais radical não aceita perder postos aliados. Já convenceu Bolsonaro de que precisa manter Weintraub e Salles, "pelo bem do conservadorismo".

Quanto a Regina e Guedes, tudo indica que seus destinos estão traçados. As apostas sobre qual dos dois cai primeiro já correm soltas em Brasília.