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Ao abrir guerra contra Rodrigo Maia, Paulo Guedes assinou sentença de morte

Rodrigo Maia e Paulo Guedes - Foto: Pedro Ladeira - 5.fev.19/Folhapress
Rodrigo Maia e Paulo Guedes Imagem: Foto: Pedro Ladeira - 5.fev.19/Folhapress
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

04/09/2020 14h15Atualizada em 04/09/2020 17h14

Não sou historiador, por isso peço socorro aos especialistas. Mas não me lembro de nenhum ministro da Economia, na história do Brasil, que tenha sobrevivido no cargo em guerra contra o presidente da Câmara.

Pois é. Ontem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se queixou de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, resolveu proibir os membros de sua equipe de negociar qualquer coisa com o Congresso.

Hoje, Maia foi mais explícito. Em entrevista ao SBT, disse que Guedes simplesmente não gosta dele (assista abaixo; crédito do vídeo: SBT News)

O último ministro da área econômica em guerra com um presidente da Câmara, de que me lembro, tentou evitar a briga o tempo inteiro. Mas mesmo assim teve que deixar o cargo.

Tratava-se de Joaquim Levy, o ministro da Fazenda da petista Dilma Rousseff.

E olha que Levy nunca professou o ideário petista. É um liberal de carteirinha. E o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), também se dizia liberal.

Mas Cunha — de triste memória— na verdade não queria saber de liberalismo ou intervencionismo estatal. O negócio dele, digamos, eram negócios... Portanto, também não queria saber se o ministro estava disposto ou não a brigar.

Cunha queria mesmo era desestabilizar o governo. Para isso, Levy era uma pedra no seu sapato, e o então chefão da Câmara abriu guerra. Pronto. Levy teve que sair.

Não é o caso de Rodrigo Maia. O atual presidente da Câmara não quer para si a marca de Cunha, de quem deseja o poder em detrimento do país. Portanto, não queria guerra com Paulo Guedes.

Mas o ministro anda numa fase, digamos, meio paranoica. Enxerga uma grande armação contra sua permanência no cargo. Acha que Maia, o coordenador político do governo, general Luiz Eduardo Ramos, e o ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, estão armando um complô.

O resultado é que ele ficou mesmo enfraquecido. Até porque seu receituário não anda dando certo. E Guedes resolveu, então, atirar.

O problema é que criou uma situação de difícil retorno.

A forma mais educada com que Rodrigo Maia tem se referido ao mandatário da área econômica é chamando- de "um idiota".

Preparem seus corações. Vem muito fogo por aí.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL