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Tales Faria

13º do Bolsa Família e auxílio emergencial: deflagrada guerra no Congresso

Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)  -  Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

18/12/2020 11h26

Não se sabe ainda se foi de caso pensado ou apenas um gesto impensado do presidente da República. Mas, Jair Bolsonaro acendeu definitivamente o pavio da guerra no Congresso ao declarar que o 13º do Bolsa Família neste ano não seria pago por culpa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM),

Em reação, Maia colocou em pauta a votação da Medida Provisória 1000, que prorroga a vigência do auxílio emergencial de subsistência à pandemia. A pedido da equipe econômica e da base governista no Congresso, o presidente da Câmara vinha represando a votação, até que houvesse a aprovação de alguma dotação para seu pagamento no Orçamento de 2021, que também ainda não foi votado pelo Congresso.

Esses e outros projetos vinham paralisando a pauta em meio a disputas entre o centrão, a oposição e o autodenominado centro democrático, comandado por Rodrigo Maia, pelo comando da Comissão de Orçamento e pela sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.

As eleições dos novos presidentes da Câmara e do Senado devem ocorrer em 1º de fevereiro. Os pré-candidatos já estão cabalando votos. Mas o clima de guerra ainda não havia se instalado. A votação da MP acendeu o pavio.

Segundo a equipe econômica, se aprovada, a MP gera um rombo imediato nos cofres da União de cerca de R$ 8 bilhões. O líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), já distribuiu nota festejando a pauta. Um dos pré-candidatos a presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), protestou: "isso é uma bomba fiscal."

Marcada a votação, ela funcionará como uma prévia da eleição para presidente da Câmara. Vai servir para mostrar se o centrão pode garantir os votos ao governo e se os aliados de Maia, junto com a oposição, têm condições de derrotar o candidato do governo ao comando da Casa, o líder do PP, Arthur Lira (AL).

Além do mais, a votação pode abrir um racha no governo. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, defende nos bastidores a prorrogação do auxílio, sob protestos veementes de Paulo Guedes, que chega pedir sua cabeça.

Enfim, é confusão para mais de metro. Com potencial para se tornar o principal assunto da política no país nesta virada de ano.