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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro tenta fazer Moraes se declarar impedido de presidir as eleições

Dez ex-ministros assinam manifesto contra ataques de Bolsonaro a Alexandre de Moraes - Montagem/TV Cultura
Dez ex-ministros assinam manifesto contra ataques de Bolsonaro a Alexandre de Moraes Imagem: Montagem/TV Cultura
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

24/08/2021 04h00

O presidente Jair Bolsonaro nunca imaginou que conseguirá arrancar do Senado o impeachment de Alexandre de Moraes. Ele entrou com ação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) apenas com um objetivo: constranger e pressionar Moraes a se declarar impedido para comandar as eleições presidenciais de 2022.

O atual vice-presidente do TSE, Edson Fachin, assume o comando da corte em fevereiro de 2022, mas fica no cargo só até agosto. O critério de sucessão é a data da posse como membro do TSE. Segue, portanto, a ordem que cada ministro assumiu no STF.

Assim, o presidente do tribunal após Fachin será o ministro Alexandre de Moraes. Como caberá a ele presidir as eleições de 2022, Bolsonaro resolveu investir tudo em fazê-lo sentir-se incomodado em presidir uma eleição em que um dos principais candidatos seja seu inimigo pessoal.

Daí porque interessa tanto ao presidente da República apostar nessa contenda contra o ministro. Quer mesmo se transformar num inimigo pessoal.

Caso o ministro não se declare impedido de comandar a eleição em 2022, Bolsonaro tem dito a auxiliares que já criou condições de, pelo menos, levar o assunto à pauta do plenário do STF, ou do próprio TSE.

Ou seja, o presidente da República conseguiu estabelecer mais um tema polêmico para as eleições do ano que vem. Junto com a discussão sobre o voto impresso, ele terá criado o caldo de cultura para tumultuar o pleito mais ainda, oferecendo argumentos para seus seguidores poderem dizer que as eleições não valeram.

Os bolsonaristas dirão que o voto não pode ser auditável e, além do mais, como verdadeiras torcidas de futebol: "o juiz é ladrão!"