PUBLICIDADE
Topo

Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sete crianças podem ter morrido por covid desde que Anvisa liberou vacina

Getty Images
Imagem: Getty Images
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

05/01/2022 16h13

Levantamento da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, divulgado no último dia 17 de dezembro, revelou que, em 2020, ocorreram 156 mortes por covid entre crianças de 5 a 11 anos. Em 2021, foram registrados outros 145 óbitos. Um total de 301 casos desde o início da pandemia. Isso dá uma morte a cada dois dias.

Pois bem, no dia 16 de dezembro a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a aplicação de vacinas contra covid em crianças dessa faixa etária. Isso quer dizer que a cada dois dias sem vacinar, um brasileirinho pode estar morrendo.

Hoje, neste 5 de janeiro de 2022, passaram-se 15 dias da autorização da Anvisa sem que o governo promovesse a vacinação de crianças. Mantida a média histórica de mortes pela covid nessa faixa etária, pelo menos 7 crianças morreram.

Trata-se um crime promovido pelos agentes públicos: 7 crianças mortas por uma omissão premeditada do governo. Premeditada porque o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, protelou ao máximo a adoção da recomendação da Anvisa, mesmo sabendo que isso seria uma questão de vida ou morte para as crianças.

Queiroga agiu (ou deixou de agir) sob as bênçãos de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, que, por sua vez, não só criticou a decisão da Anvisa como defendeu a exposição pública dos técnicos do órgão para a execração da turba bolsonarista.

Não se trata mais de uma questão ideológica, ou política, ou eleitoral. Agora é uma corrida contra o tempo para salvar crianças. Uma corrida contra a morte. Só nos resta torcer para as vacinas chegarem e serem administradas às crianças a tempo de salvar suas vidas.