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Tales Faria

REPORTAGEM

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Arthur Lira e Ciro Nogueira acenam nos bastidores para Lula, se PT vencer

Arthur Lira (de máscara) conversa com Ciro Nogueira em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado/Reuters
Arthur Lira (de máscara) conversa com Ciro Nogueira em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

29/04/2022 12h58

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e até mesmo o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, têm enviado recados ao ex-presidente Lula de que podem apoiar seu governo se o PT vencer a eleição presidencial.

Ciro, que é senador eleito e presidente nacional do PP, foi explícito em conversa com um deputado de seu partido que apoia Lula no Nordeste: "Não tem problema. Vai na frente que, se precisar, depois eu vou atrás".

O PP é quem comanda o grupo de partidos chamado de centrão, que tem garantido ampla maioria para o governo no Congresso. Ciro está afastado de Lula no momento, mas já foi muito próximo do ex-presidente.

Arthur Lira, por sua vez, está em plena campanha para continuar no comando da Câmara no ano que vem. Para isso, ele não busca apenas votos entre os governistas.

O deputado tem tentado abertamente conquistar apoio entre aliados de Lula. Ele argumenta que pretende concorrer à reeleição, mesmo com a vitória do petista. E que, neste caso, não fará oposição ao presidente eleito e nem Lula vai querer abrir guerra.

"Você sabe que eu sempre tive uma postura correta, institucional", disse a um deputado da oposição com quem mantém diálogo constante.

Foi para reafirmar essa "postura institucional" que o presidente da Câmara se manifestou contrário às ameaças de Bolsonaro ao sistema de apuração das eleições.

"O processo eleitoral brasileiro é uma referência. Pensar diferente é colocar em dúvida a legitimidade de todos nós, eleitos, em todas as esferas", escreveu no Twitter.

Em suas conversas reservadas, líderes de partidos que hoje fazem oposição ao presidente Bolsonaro admitem que, se vencer em outubro, Lula terá que avaliar se poderá eleger um presidente da Câmara de sua confiança, ou se terá que se compor com Arthur Lira.

"Tudo depende do tamanho que as bancadas terão após as eleições. O Lira está forte aqui dentro, tem trabalhado muito. Não dá para a gente se antecipar num caso desses" disse à coluna uma liderança petista.

No momento, publicamente, Lira e Ciro continuarão manifestando total apoio a Bolsonaro. Passada a eleição, os dois também pretendem avaliar a força que conquistaram no novo Parlamento e, portanto, o que poderão obter do novo governo.