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Thaís Oyama


O que o relatório do teste de coronavírus de Bolsonaro não diz

Ciro Gomes, Kim Kataguiri, Joice Hasselmann, Molon e outros autores de pedidos de impeachment de Bolsonaro avaliam as chances do impedimento prosseguir no Congresso - MARCOS CORRÊA/PR
Ciro Gomes, Kim Kataguiri, Joice Hasselmann, Molon e outros autores de pedidos de impeachment de Bolsonaro avaliam as chances do impedimento prosseguir no Congresso Imagem: MARCOS CORRÊA/PR
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

07/05/2020 20h13

Quando a Justiça Federal determinou que o presidente Jair Bolsonaro entregasse os laudos dos exames de coronavírus a que se submeteu, a Advocacia-Geral da União limitou-se a fornecer à a juíza Ana Lúcia Petri Betto um relatório médico dizendo que os testes do presidente haviam dado negativo. Ontem, o desembargador André Nabarrete Neto, do Tribunal Regional da 3ª Região, determinou que a AGU cumprisse a determinação original e enviasse à Justiça os resultados dos exames presidenciais para detecção do vírus, e não apenas um relatório médico.

O relatório médico do presidente entregue no dia 18 de março pela AGU à juíza Ana Lúcia, como "resposta" à sua determinação, dizia o seguinte:

"Conforme orientação do Ministério da Saúde, foi realizado [no presidente Jair Bolsonaro] exame para detecção de COVID-19, nos dias 12 e 17 de março, com amostras coletadas pela equipe do Hospital das Forças Armadas, e processadas no laboratório Sabin, nesta cidade de Brasília, com o resultado do referido exame dando não reagente (negativo)".

Assinam o documento dois médicos da Presidência, ambos militares: o major do Exército Marcelo Zeitoune e o capitão de mar-e-guerra Guilherme Guimarães Wimmer.

No documento, os médicos deixam claro que se referem às amostras "processadas no laboratório Sabin". A ressalva chama a atenção porque, como esta coluna já revelou (https://noticias.uol.com.br/colunas/thais-oyama/2020/03/25/o-terceiro-teste-de-coronavirus-que-bolsonaro-nunca-revelou.htm), existe uma outra amostra que, colhida no mesmo dia 17 de março pela mesma equipe do HFA, foi encaminhada para ser processada pelo laboratório Fiocruz. O presidente Bolsonaro nunca divulgou a existência deste terceiro exame -e os militares que colocaram a sua assinatura no relatório enviado à Justiça tampouco fizeram referência a ele.

O desembargador Nabarrete Neto não estipulou prazo para a entrega dos laudos dos exames presidenciais. Mas quando, e se, isso ocorrer, a AGU deverá apresentar à Justiça os resultados de três exames - e não dois.

Thaís Oyama