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Thaís Oyama


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Prisão de Baldy respinga em dois adversários de Bolsonaro

João Doria e seu secretário Alexandre Baldy, preso hoje -                                 DIVULGAÇÃO/SECOM SP
João Doria e seu secretário Alexandre Baldy, preso hoje Imagem: DIVULGAÇÃO/SECOM SP
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

06/08/2020 13h37

A prisão do secretário Alexandre Baldy respinga em dois adversários do presidente Jair Bolsonaro. Além de integrar o governo de João Doria, em São Paulo, Baldy é um fiel aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia — a ponto de ter sido o pivô da sua guerra com o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Baldy, que já tinha sido ministro das Cidades do governo Temer, chegou a ser indicado por Maia para ser o titular da mesma pasta no governo Bolsonaro, na época em que o Planalto cogitou recriar o ministério para agradar ao Centrão (então próximo de Maia).

O Ministério das Cidades acabou não saindo, mas, a título de compensação, Maia ganhou o direito de nomear o presidente do FNDE, órgão do Ministério da Educação detentor da gorda dotação de R$ 50 bilhões no ano passado.

Maia indicou para ocupar o cobiçado FNDE Rodrigo Dias, primo de Baldy e também alvo de um mandado de prisão na operação de hoje.

Para acomodar o aliado de Maia na sua pasta, o então ministro Weintraub teve de demitir do comando do FNDE o hoje notório Carlos Decotelli — o do currículo com "inconsistências". Weintraub nunca engoliu a interferência do presidente da Câmara e, na primeira oportunidade, demitiu Rodrigo Dias, abrindo guerra com Maia.

Maia não se pronunciou até agora sobre a prisão de seu aliado. O governador João Doria se apressou em dizer que a investigação nada tem a ver com o seu governo.

Já os bolsonaristas comemoram a operação. Lava Jato nos outros é refresco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Thaís Oyama