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Thaís Oyama

O "big bang" de Paulo Guedes e o cavalo-de-pau de Bolsonaro

O ministro Paulo Guedes: apenas recriando o universo - ADRIANO MACHADO
O ministro Paulo Guedes: apenas recriando o universo Imagem: ADRIANO MACHADO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

22/08/2020 10h20

Com a modéstia de sempre, o ministro Paulo Guedes batizou de "Big Bang" o pacote de medidas econômicas a ser anunciado na terça-feira e que inclui a apresentação do Renda Brasil, o substituto vitaminado do Bolsa Família.

O novo programa terá seu valor mensal aumentado de 190 reais para algo entre R$ 250 ou R$ 300 reais, irá ampliar o número de famílias beneficiadas (hoje de 14 milhões) e manterá as condições básicas para participação: filhos na escola e vacinas em dia. O dinheiro para bancá-lo deverá vir da extinção de benefícios como o abono salarial e o seguro-defeso, proporá Guedes.

O anúncio do novo Bolsa Família será feito num grande evento no Palácio do Planalto. O presidente Bolsonaro decerto aproveitará a ocasião para comentar os motivos pelos quais, até há pouco tempo, atacava o programa a que agora dá seguimento.

Em 2011, por exemplo, ele disse ser preciso acabar com o benefício porque "cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem Bolsa Família, tornam-se eleitores de cabresto do PT". O ex-capitão, então deputado federal, fez a afirmação no discurso em que agradeceu os nove votos obtidos na segunda das suas três tentativas de ser presidente da Câmara.

Diante disso, é de se esperar que o novo Bolsa Família renasça com virtudes insuspeitas, e livre de tudo o que fazia Bolsonaro considerar a versão da era Lula "nada mais do que um projeto para tirar dinheiro de quem produz e dá-lo a quem se acomoda, para que use seu título de eleitor e mantenha quem está no poder", como afirmou no mesmo discurso de 2011.

Para um governo que se propõe a recriar o universo, resolver um cavalo-de-pau mental desses é fichinha.