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Thaís Oyama

Eleitor de Bolsonaro não liga para a "rachadinha"

A primeira-dama Michelle Bolsonaro e as perguntas que não interessam aos eleitores de seu marido: Fabrício de quê? Na conta de quem? -
A primeira-dama Michelle Bolsonaro e as perguntas que não interessam aos eleitores de seu marido: Fabrício de quê? Na conta de quem?
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

30/08/2020 05h00

O eleitor de Jair Bolsonaro não está nem aí para o escândalo da rachadinha.

Confrontados com a suspeita de que a família do presidente desviou dinheiro público para pagar despesas pessoais e aumentar seu patrimônio, os mais ricos afirmam que o "PT roubava bilhões". Os mais pobres respondem que "todo político rouba, mas esse está me ajudando".

A avaliação é do economista Maurício Moura, CEO da consultoria Ideia Big Data, que desde 2017 faz o monitoramento digital de grupos de apoiadores de Bolsonaro.

Em entrevista à revista Época desta semana, Moura fala de outros achados que podem interessar à oposição.

Entre as coisas que NÃO afetam o ex-capitão junto aos seus eleitores, está, além do escândalo da rachadinha, a tentativa de pregar nele o rótulo de fascista. "O efeito é nenhum", diz o pesquisador.

Primeiro, porque uma grande parte da população desconhece o significado do termo. Segundo, porque quem conhece acha que "essa é uma forma muito radical de se referir ao presidente". Em suma, só funciona dentro da bolha.

O mesmo se dá em relação à aproximação de Bolsonaro com o Centrão. A parceria do ex-crítico da "velha política" com os reis do "toma lá dá cá" teve impacto zero na sua curva de aprovação.

E mesmo uma eventual demissão de Paulo Guedes, afirma Moura, tem grandes chances de ser bem digerida por apoiadores do governo. Dependendo do substituto que venha a ter o ministro, o mercado financeiro pode sofrer um estremecimento, mas a popularidade do presidente, muito provavelmente, não.

Se acusações de roubalheira, arroubos autoritários, adesão ao fisiologismo e nem mesmo a possibilidade de perder o ministro que foi um dos pilares da sua eleição são capazes de fazer cócegas na aprovação de Bolsonaro, o que há de ameaçá-la?

Para Moura, tirando o imponderável, a resposta é: um líder que unifique a oposição e tenha um plano de estabilidade econômica melhor que o dele. "Se for mais ou menos igual, a população vai reeleger o presidente", vaticina.

Ainda há chão até 2022.

Mas, no campo da oposição, não se vê unificador à vista, quanto menos com um plano na mão.

Quanto à pergunta sobre o motivo pelo qual Fabrício Queiroz depositou R$ 89 mil reais na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, não é só que o presidente não quer esclarecê-la.

O problema mesmo é que muita gente não está interessada na resposta.