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Thaís Oyama

Como será a vida do brasileiro na crise econômica

Cadê o arroz que estava aqui? - iStock
Cadê o arroz que estava aqui? Imagem: iStock
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

25/09/2020 10h50

Que pouca coisa será como antes já se sabe.

Mas, até agora, sabe-se pouco sobre o que irá mudar.

Algumas das escassas certezas sobre como será a vida na crise econômica do pós-pandemia vêm dos hábitos de consumo.

Com a redução do valor do auxílio emergencial e a inflação dos alimentos, lazer e serviços serão os setores mais afetados. Jovens reduzirão a frequência das baladas e dos passeios ao shopping. Famílias visitarão menos seus parentes, mulheres diminuirão as idas ao salão de beleza e muita gente deixará de lado as compras de roupas e sapatos novos. À mesa, o cardápio dos mais pobres já mudou: 20% dos brasileiros trocaram o arroz por outro produto, sendo o mais frequente o macarrão. Os dados são da pesquisa Exame, feita pelo instituto Ideia Big Data e divulgada hoje.

O trabalho mostra ainda que também diminuiu a boa vontade da população para com o governo Bolsonaro- e aqui o mau-humor está concentrado nas mulheres, sobretudo as que recebem até um salário mínimo.

De forma geral, as percepções do brasileiro são de que: o custo de vida tem subido mais que a inflação que vem sendo divulgada, o preço dos alimentos continuará aumentando, e a responsabilidade pela situação é culpa, sobretudo, do governo federal.

Pesquisa anterior do instituto, de duas semanas atrás, já havia apontado um aumento do público que avalia o governo Bolsonaro como "regular".

O dado é importante porque equivale a um aumento de "indecisos".

Os que classificam o governo como "ótimo" ou "bom" tendem a manter a sua posição, assim como os que o consideram "ruim" ou "péssimo".

Já a turma do "regular" é a que mais se "movimenta" --para cima ou para baixo.
E a pesquisa divulgada hoje mostra que ela está se movimentando para baixo, na direção de uma avaliação negativa do governo: "ruim" e "péssimo" subiram cinco pontos percentuais, enquanto "ótimo" e "bom" oscilaram três pontos para baixo.

Paulo Guedes já disse que o Brasil fará uma "aterrissagem suave" nesta fase pós-auxílio emergencial.

As perspectivas de subida da inflação e do desemprego, porém, cujo maior impacto se dá no segmento de baixa renda, não autorizam o otimismo do ministro. Tanto na economia quanto na popularidade do governo, o que se avista é um céu turvo e muito solavanco pela frente.

Foram os brasileiros mais pobres que puxaram a popularidade de Bolsonaro para cima. Agora, são eles que podem fazê-la despencar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.