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Com Moro desanimado, Major Olímpio planeja se lançar à Presidência

O senador Major Olímpio: seu  plano de candidatura deve enfrentar resistências do vice-presidente do PSL, Antonio Rueda - 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL
O senador Major Olímpio: seu plano de candidatura deve enfrentar resistências do vice-presidente do PSL, Antonio Rueda Imagem: 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

13/10/2020 05h00

O senador Sérgio Olímpio Gomes, mais conhecido como Major Olímpio, pretende concorrer à Presidência da República em 2022 pelo PSL.

Ele tem dito a amigos que tomou a decisão por acreditar que o ex-juiz Sergio Moro, de quem é próximo e com quem compartilha princípios lavajatistas, não se colocará na disputa.

Moro já foi sondado tanto pelo PSL quando pelo Podemos sobre a possibilidade de se filiar às siglas com vistas à eleição presidencial e, nos dois casos, não deixou a conversa avançar. Recentemente, apoiado pela mulher, Rosângela Moro, passou a cogitar um período sabático no exterior.

Ex-aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, Major Olímpio rompeu com o presidente em agosto do ano passado. Segundo afirma, a briga ocorreu porque o ex-capitão e seu filho Flávio Bolsonaro tentaram pressioná-lo a não assinar o pedido de abertura da CPI da Lava Toga, que teria como principal investigado o ministro Dias Toffoli. À época, o senador declarou que Bolsonaro queria barrar a Lava Toga para "proteger seu filho bandido".

Quando, há três meses, o presidente ensaiou um retorno ao PSL, partido pelo qual foi eleito, o senador declarou que deixaria a sigla caso ela aceitasse o ex-capitão de volta.

No início do ano, Olímpio cogitou deixar o mandato para se candidatar ao governo de São Paulo. Desistiu, mas a mudança dos ventos fez com que passasse a sonhar mais alto.

Olímpio conta com quartéis como "comitês eleitorais informais"

As ameaças à Lava Jato, por exemplo, acabaram por aumentar a reverberação do seu discurso no Congresso — a defesa da força-tarefa e o combate à corrupção foram desde o início suas bandeiras.

Outro fato novo a estimular as ambições do senador foi o surgimento da insatisfação de parte dos militares com a lei que instituiu as novas regras de aposentadoria para a categoria. Sancionada no final do ano por Bolsonaro, ela desagradou especialmente a parte do baixo oficialato que se sentiu "traída" pelo ex-capitão, acusado de privilegiar os generais.

A debandada desses cabos e soldados da base de apoio de Bolsonaro é vista pelo senador como uma chance de ampliar a sua própria, também fincada nas forças de segurança.

O ex-major da Polícia Militar, que teve 9 milhões de votos em 2018, conta com a alta capilaridade dessa base de apoio para o seu projeto. "Não tem uma cidade do Brasil que não possua um quartel policial ou de bombeiros", costuma dizer a interlocutores com quem tem falado sobre o assunto. "E cada quartel desses tem potencial para virar um comitê eleitoral informal", afirma.

PSL chegará a 2022 com cofre cheio e tempo na TV

O plano do Major de candidatar-se em 2022 pelo PSL ainda não chegou à cúpula do partido, e deve enfrentar resistências sobretudo da parte de seu vice-presidente, Antonio Rueda, ligado à ala bolsonarista.

Há muito em jogo.

O partido que Bolsonaro deixou, depois de travar uma disputa sangrenta com o presidente da sigla, Luciano Bivar, chegará a 2022 com o segundo maior tempo de propaganda eleitoral na TV, atrás do PT.

Terá também o cofre mais cheio entre todos os partidos: somando os fundos partidário e eleitoral, algo em torno de 700 milhões de reais.

Com tempo de TV, rios de dinheiro e um candidato à presidência conhecido nacionalmente, o PSL viraria, mais uma vez, um ator de peso no cenário eleitoral. Seria o sonho de Luciano Bivar, e a mais amarga das vinganças que ele poderia perpetrar contra Bolsonaro, cujos ataques abaixo da linha da cintura o cartola do PSL nunca esqueceu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.