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Thaís Oyama

Moro encolhe nas redes e tem futuro político incerto

O ex-ministro Sérgio Moro: fala de poucos decibéis na internet, onde aparece mais quem grita mais alto - Marcos Oliveira/Agência Senado
O ex-ministro Sérgio Moro: fala de poucos decibéis na internet, onde aparece mais quem grita mais alto Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

27/10/2020 10h52

O ex-ministro Sérgio Moro está encolhendo nas redes sociais.

Entre abril e maio, logo depois que deixou o Ministério da Justiça, ele teve um salto de popularidade na internet. Ganhou 343 mil seguidores no Twitter e chegou a 3 milhões de fãs no Instagram.

Agora, essa popularidade começa a murchar. Desde junho, o ex-ministro ganhou apenas 63 mil apoiadores no Twitter e perdeu 345 mil no Instagram. Os dados são da agência Bites, de consultoria digital.

Moro tem usado as plataformas de forma apenas esporádica. Escreve pouco e sempre a respeito de assuntos pelos quais já é conhecido: Lava Jato, combate à corrupção, questões de Justiça.

Raramente permite que o conteúdo das mensagens escorregue para o terreno da política. Da última vez que fez isso, apagou o post horas depois.

No início do mês, quando se divulgou que o nome escolhido por Jair Bolsonaro para a vaga no Supremo Tribunal Federal era o do desembargador Kassio Marques, Moro escreveu: "Simples assim, se o PR @jairbolsonaro não indicar alguém ao STF comprometido com o combate à corrupção ou com a execução da condenação criminal em segunda instância, todos já saberão a sua verdadeira natureza (muitos já sabem)''.

A amigos que lhe perguntaram por que decidiu apagar o post, o ex-juiz respondeu que pensou melhor e considerou o texto "muito agressivo".

O que Moro entende por "agressivo" está bem distante dos padrões da internet, onde aparece mais quem grita mais alto. Com seus baixos decibéis e a escolha por assuntos pouco palpitantes, é até surpreendente que o ex-magistrado ainda mantenha um grande público (3,2 milhões de seguidores no Twitter, pouco menos da metade do que possui o presidente Jair Bolsonaro na plataforma: 6,6 milhões).

Assim como nas redes sociais, a curiosidade sobre o ex-juiz medida pelas buscas de seu nome no Google também caiu. Numa escala de zero a 100, ela vinha numa média de 4,6 pontos nos últimos 12 meses. Nos últimos 30 dias, despencou para 1,2.

"Esses sinais revelam que a opinião pública digital está se afastando do ex-ministro", afirma Manoel Fernandes, diretor da Bites. "Para garantir uma viabilidade eleitoral em 2022, caso seja esse o seu desejo, a recuperação da estrada precisa começar agora".

Mas é desejo de Moro estar na disputa de 2022?

Interlocutores do ex-ministro dizem que ele se fecha em copas quando alguém toca no assunto. Fala em advogar, fala em dar palestras "sobre Direito", mas, sobre política, nada.

Um desses interlocutores está convencido de que Moro não desistiu de se candidatar, mas só anunciará sua decisão depois do julgamento do recurso impetrado pelo ex-presidente Lula contra ele no STF. O petista acusa Moro de ter agido de forma parcial no julgamento do caso do triplex do Guarujá.

Moro sabe que a Corte já tem maioria para declarar sua suspeição e não quer piorar o cenário acrescentando a ele mais um ingrediente político.

O julgamento da ação só deve ocorrer quando o STF retomar as sessões presenciais -por enquanto, elas continuam ocorrendo de forma virtual.

Até lá, nada indica que a sangria de seguidores do ex-juiz será estancada.

Moro segue no seu estilo data vênia, em direção a destino desconhecido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.