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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Huck quer trazer para sua campanha "mago" argentino que elegeu Macri

O apresentador Luciano Huck e a mulher, Angélica - Reprodução / Internet
O apresentador Luciano Huck e a mulher, Angélica Imagem: Reprodução / Internet
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/02/2021 10h46

Nas eleições de 2018, o candidato Jair Bolsonaro por pouco não leva no primeiro turno. Ficou com 46% dos votos e não deixou para ninguém. Geraldo Alckmin (PSDB), o menos pior sucedido entre os candidatos dos campos da direita à centro-esquerda, teve o apoio de humilhantes 4,7% dos eleitores. Fernando Haddad, o nome do PT, ficou em segundo lugar com 29% dos votos.

É um cenário diferente daquele que se avista para a eleição de 2022.

Se as eleições fossem hoje, Bolsonaro teria em torno de 30% dos votos no primeiro turno, segundo os institutos de pesquisa, e o candidato do PT oscilaria entre 15% e 20%.

Donde se conclui que, a tomar pela fotografia do momento, a eleição tende a ser um embate entre o atual presidente e um petista, e quem quiser tomar o lugar do segundo terá de superar a marca dos 15% a 20% hoje atribuídos a Haddad ou ao ex-presidente Lula.

Não é uma tarefa fácil, como avalia Maurício Moura, CEO do instituto Ideia Big Data. "O nome que se dispuser a isso terá de contar com uma ampla corrente de apoio, ou fracassará".

Não é por outro motivo que o apresentador Luciano Huck aguarda os movimentos sobretudo do ex-ministro Sergio Moro para anunciar se entra ou não no páreo. Ele sabe que, se dividir o campo com o ex-juiz da Lava Jato, perderá qualquer chance de ir ao segundo turno contra Bolsonaro.

Moro, por sua vez, permanece em silêncio obsequioso. Tornado em dezembro sócio-diretor da consultoria americana Alvarez & Marsal, ele aguarda apenas a liberação dos vistos de entrada nos Estados Unidos, suspensos com a pandemia, para fazer a sua primeira visita à matriz. A consultoria tem entre seus clientes empresas investigadas pela Lava Jato, como a construtora Odebrecht, cujo ex-presidente, Marcelo Odebrecht, Moro condenou por corrupção em 2016..

Com o ex-juiz no páreo em 2022, Huck está fora dele.

Sem Moro na jogada, os problemas do apresentador passam a ser de outra ordem.

Um deles: evitar que adversários consigam fazer pespegar nele a marca de "candidato da TV Globo".

Para lidar com essas e outras questões, Huck negocia a contratação de um peso-pesado do mundo do marketing político.

Marcos Peña, tido como um dos cérebros por trás da surpreendente vitória de Maurício Macri para a presidência da Argentina em 2016, esteve no Brasil há duas semanas.

O ex-braço direito de Macri se encontrou com Huck no Rio e em seguida viajou para São Paulo para se reunir com dois colaboradores do apresentador especializados em redes sociais.

Huck está na moita, mas seu caldeirão continua em ebulição.