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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

PIB desiste de Huck; superlotação na terceira via favorece Lula e Bolsonaro

Luciano Huck: "refletindo" há seis anos se sai ou não sai candidato  - Reprodução/Globo
Luciano Huck: "refletindo" há seis anos se sai ou não sai candidato Imagem: Reprodução/Globo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

07/04/2021 11h29

Luciano Huck pode ainda não ter desistido de se candidatar a presidente, mas o PIB já desistiu dele.

O apresentador, que cogitou entrar na campanha de 2018, continua dizendo que está "refletindo" sobre a possibilidade de lançar-se em 2022. Mas ao menos a parte dos endinheirados cujo apoio pesa na balança eleitoral considera que, a essa altura, a estrela da TV Globo "mais atrapalha do que ajuda", nas palavras de um integrante da casta. "O tempo urge", afirma ele.

A oito meses do ano eleitoral, a chamada "terceira via", aquela capaz de fazer frente à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT), segue sendo apenas uma ideia, apesar do congestionamento de nomes apontados para representá-la.

Empresários e banqueiros de São Paulo entusiasmam-se com a hipótese de uma dobradinha com Luiz Henrique Mandetta e Eduardo Leite. Acreditam que o ex-ministro da Saúde, do DEM, e o atual governador do Rio Grande do Sul, tucano, podem formar uma chapa ou apoiar uma composição liderada por um dos dois com a inclusão de um terceiro nome. Recentemente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também do DEM, passou a dividir com Mandetta as atenções do PIB.

Da mesma forma, militares da reserva se organizam em grupos de Whatsapp na tentativa de alavancar um nome que se apresente como alternativa entre o sempre detestado ex-presidente Lula e o agora execrado presidente Bolsonaro. O vice-presidente Hamilton Mourão e o ex-juiz Sergio Moro, os mais cotados nessas listas, negam interesse na corrida.

Hoje, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa disse ao UOL que está disposto a colocar seu nome em favor de um candidato anti-Bolsonaro. Cogitou até mesmo Lula, mas excluiu o seu próprio.

Quem quer que esteja disposto a incorporar a terceira via tem de se apressar. Especialistas concordam que, ao contrário do que ocorria no passado, os candidatos não podem se dar ao luxo de aguardar a largada da corrida para se tornarem conhecidos. A campanha já está na rua e nas redes sociais — e de Bolsonaro e Lula quase tudo se conhece, incluindo os defeitos.

E reside aí um dos motivos pelos quais os potenciais candidatos à terceira via têm de se mexer logo.

Para se viabilizar, eles terão de passar pelo escrutínio da opinião pública — e também da imprensa e dos adversários— para que se conheça deles também seus pontos negativos.

Essa "seleção natural" é que permitirá saber quem são os fracos que ficarão pelo caminho e quem é o mais forte, capaz de adentrar a arena.

Quanto mais esse processo demorar a acontecer, mais os polos tenderão a monopolizar o debate — e maior será o risco de os eleitores terem de se confrontar com a escolha entre o ruim e o horroroso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL