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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pandemia e Pazuello derrubam imagem dos militares, que deve piorar com CPI

O general Pazuello: protegendo o chefe e levando o Exército para o banco dos réus na CPI - Reprodução/Ministério da Saúde
O general Pazuello: protegendo o chefe e levando o Exército para o banco dos réus na CPI Imagem: Reprodução/Ministério da Saúde
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

09/04/2021 10h51

A condução calamitosa da pandemia do coronavírus no Brasil atingiu em cheio a imagem dos militares do país.

Segundo pesquisa Exame/Ideia divulgada hoje, 52% dos brasileiros afirmam que sua confiança nos entes públicos diminuiu desde a eclosão da pandemia.

Destes, 36% apontam o governo federal e 27% o Supremo Tribunal Federal como as instituições nas quais eles menos passaram a confiar. Logo em seguida, vêm as Forças Armadas: 17% dos entrevistados disseram ter se decepcionado com elas ao longo do surto do coronavírus. A pesquisa ouviu 1 259 pessoas em todo o Brasil entre os dias 4 e 7 de abril.

Uma segunda pergunta feita pelos pesquisadores confirma a frustração dos brasileiros para com os fardados. Questionados sobre em qual instituição sua confiança mais "aumentou" durante a pandemia, 35% dos entrevistados apontaram o SUS (Sistema Único de Saúde). Em seguida, vieram "a prefeitura da minha cidade" (24%) e "o governo do meu estado" (23%). As Forças Armadas ficaram em último lugar nesse ranking, com apenas 1% das indicações.

Para o CEO do instituto Ideia, Maurício Moura, o descrédito da população diante dos militares está relacionado à imagem do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. "Nossos cruzamentos indicam que os que dizem ter perdido confiança nas Forças Armadas são os que avaliam negativamente a gestão do governo na Saúde - que até o mês passado estava sob o comando de Pazuello, um general da ativa".

Os fardados estão mal na foto, e a CPI da Covid, cuja abertura acaba de ser determinada por ordem judicial, não ajudará a melhorar a situação.

Com o propósito de investigar as ações do governo no combate à pandemia, a CPI da Covid abrirá seus microfones para gestores, médicos e técnicos do Ministério da Saúde, entre outros.

Sob juramento de dizer a verdade (uma CPI tem poderes de investigação semelhantes ao de autoridades judiciais), esses depoentes falarão sobre as ordens que receberam ou deixaram de receber; sobre pareceres que, emitidos, foram observados ou ignorados pela pasta; e sobre reuniões das quais participaram, e onde se discutiu, por exemplo, a compra ou não compra de vacinas.

No centro da CPI, estará inevitavelmente Eduardo Pazuello. O ministro demitido por Jair Bolsonaro, o general do "um manda e outro obedece", é lembrado bem menos pelo que fez do que pelo que deixou de fazer.

Pazuello obedeceu demais e por isso se sentará na cadeira dos réus - para desgosto de militares, junto com as três estrelas que carrega no ombro e uma farda a servir de escudo para aquele que manda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL