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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

No ninho tucano, Leite esfria, Tasso esquenta e Dória fica em banho-maria

No PSDB, a pré-candidatura de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, azedou - Reprodução
No PSDB, a pré-candidatura de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, azedou Imagem: Reprodução
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

20/04/2021 10h39

A guinada tucana foi discretamente explicitada ontem pelo presidente da sigla, Bruno Araújo.

Ao falar ao jornal O Globo sobre os possíveis candidatos do PSDB para 2022, Araújo usou três gradações: dedicou elogios protocolares a João Doria, exaltados para Tasso Jereissati e francamente frios para Eduardo Leite.

Na entrevista, Araújo chegou a fazer um convite público para Tasso, ex-governador do Ceará, "aceitar" colocar-se como candidato do partido.

O que o presidente do PSDB queria deixar claro, no entanto, era menos o entusiasmo pelo nome de Tasso do que o azedamento da pré-candidatura de Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Para Araújo e a ala que ele lidera, a dos chamados "cabeças pretas' do PSDB, Eduardo Leite pisou fora da linha.

Nos últimos dias, surgiram no noticiário informações sobre "conversas" que o governador do Rio Grande do Sul estaria tendo com Renata Abreu, presidente do Podemos.

O Podemos, que já sonhou em ter em suas fileiras o ex-juiz Sergio Moro, continuaria decidido a ter um candidato próprio para 2022, e agora estaria apostando no nome do governador tucano.

Não pegou bem. No entendimento de líderes do PSDB, a divulgação das conversas entre Leite e o Podemos teve o dedo do gaúcho, interessado em pressionar seu partido a assumi-lo como pré-candidato para valer.

Leite sempre desconfiou que o PSDB tenha resolvido aventar seu nome apenas para desencorajar as pretensões do governador de São Paulo, João Doria, de ocupar a vaga de candidato da sigla à presidência da República.

As suspeitas de Leite não são infundadas.

Doria enfrenta forte resistência ao seu nome dentro do PSDB, incluindo a da velha guarda, que, liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, considera-o pouco agregador e sempre que pode comenta a sua "extraordinária rejeição" junto ao eleitorado. Prova dessa rejeição seria o fato de o governador de São Paulo não ter conseguido mexer os seus ponteiros nas pesquisas nem mesmo depois de ter abastecido o Brasil com nove entre dez vacinas hoje disponíveis no país.

Ao deixar público que "conversa" com o Podemos, Leite indica que não está disposto a ficar esquentando a cadeira tucana até que alguém melhor que ele se apresente —até há pouco tempo, esse "alguém melhor', ao menos para Fernando Henrique, era o indeciso apresentador Luciano Huck.

É sobretudo em função da crescente impressão de que Huck mais uma vez não irá se candidatar que os olhos do PSDB agora se voltam para Tasso. Dado que tucanos nunca foram conhecidos pela celeridade das decisões, ao eleitor interessado recomenda-se que espere por essa sentado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL