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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Enquanto o "Sr. Terceira Via" não aparece, Lula e Bolsonaro abocanham votos

O ex-presidente Lula: ganhando terreno nas pesquisas - 7.abr.2021 - Victor Moriyama/Getty Images
O ex-presidente Lula: ganhando terreno nas pesquisas Imagem: 7.abr.2021 - Victor Moriyama/Getty Images
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

23/04/2021 10h51

Em março, logo depois que o ministro do STF Edson Fachin tornou Lula elegível, o ex-presidente apareceu com 18% das intenções de voto na pesquisa Exame/Ideia.

Ontem, levantamento do mesmo instituto mostrou que o índice do petista subiu para 31%. Numericamente, Lula passou à frente de Jair Bolsonaro pela primeira vez, mas sua vantagem ainda está dentro da margem de erro (Bolsonaro, que oscilou para baixo, tem agora 30% das intenções de voto, contra 33% registradas em março).

A maior mudança que a pesquisa aponta, porém, é outra: em março, a soma dos votos de Lula e Bolsonaro dava 51%. Isso significa que praticamente metade dos eleitores brasileiros se dizia disposta a optar por um terceiro nome.

Na pesquisa divulgada hoje, a soma dos votos de Lula e do atual presidente é igual a 61%. Significa que a porcentagem de eleitores que tendem a votar fora da polarização Lula x Bolsonaro encolheu dez pontos.

Isso não significa que o "senhor Terceira Via" tenha perdido as chances.

Num dos cenários apresentados pela pesquisa, a soma dos votos atribuídos a Ciro Gomes, Sergio Moro, Luciano Huck, Eduardo Leite, Danilo Gentili e Luiz Henrique Mandetta totaliza 32% — o que é mais ou menos o que têm individualmente Lula e Bolsonaro hoje. Em tese, portanto, se houver convergência em torno de um nome, ele poderá ficar ombro a ombro com os dois favoritos.

Ocorre que o melhor momento para esse nome surgir já passou -seria anterior à decisão de Fachin de tornar Lula elegível.

Agora, Bolsonaro e Lula monopolizam o debate, o noticiário e as intenções de voto.

A cada dia que passa, o sr. Terceira Via vê diminuir as chances de superar o tremendo recall que têm o ex-presidente e o atual - Lula deve embarcar na sua sexta disputa presidencial e Bolsonaro, mesmo antes da campanha de 2018, já viajava pelo país havia pelo menos três anos. Mais que isso, com a demora em aparecer, ele perde o tempo necessário para, como diz Mauricio Moura, CEO da Ideia, "adquirir anticorpos" - ou seja, fortalecer-se ao passar pelo processo de depuração que inclui os ataques de potenciais adversários e o escrutínio da imprensa.

A pesquisa divulgada hoje mostra que, por ora, Lula e Bolsonaro estão dominando a festa e comendo sozinhos o bolo das intenções de voto. O tal "candidato de centro" quando, e se, finalmente se apresentar, corre o risco de ter de se contentar com as migalhas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL