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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nas prévias do PSDB, Arthur Virgílio ficará com Doria ou Leite? 

Como terceiro nome das prévias, Arthur Virgílio ganha visibilidade para enfrentar o presidente da CPI, Omar Aziz - Reprodução/Twitter/@Arthurvneto
Como terceiro nome das prévias, Arthur Virgílio ganha visibilidade para enfrentar o presidente da CPI, Omar Aziz Imagem: Reprodução/Twitter/@Arthurvneto
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

18/10/2021 11h02

Arthur Virgílio, que concorre ao título de candidato do PSDB à Presidência da República, vem sendo paparicado na mesma medida pelo governador de São Paulo, João Doria, e pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ambos querem o apoio do ex-prefeito de Manaus às suas candidaturas.

Virgílio já declarou ser "mais próximo do João" (Doria) do que de Leite.

Mas também afirmou que, "historicamente", sempre votou com seu amigo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) — que desistiu das prévias para apoiar o governador gaúcho.

Na semana passada, Virgílio foi recebido por Doria para um almoço em São Paulo. A assessoria do governador tentou "vender" o encontro como se ele fosse uma sinalização de que o ex-prefeito de Manaus teria optado por Doria.

Só que, na semana que vem, Virgílio irá almoçar em Porto Alegre com Eduardo Leite. Como cabem às assessorias, a do governador gaúcho deve se esforçar para fazer o mesmo que tentou fazer a de seu colega de São Paulo.

Virgílio é, dentre os três postulantes nas prévias do PSDB, o único sem chances de vencer.

Atualmente sem mandato, ele pretende concorrer à única vaga do Amazonas para o Senado Federal e precisa de visibilidade nacional, já que o seu possível concorrente será o hoje ultravisível presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD), que ainda não disse se concorrerá a reeleição ou se se arriscará na tentativa de voltar ao governo do Amazonas.

Para Virgílio, portanto, as prévias do PSDB são uma boa oportunidade para projetar sua imagem nacionalmente. Poucos acreditam, no entanto, que o ex-prefeito de Manaus seguirá até o fim do processo, sendo mais provável que se retire dele sem apoiar ninguém, com a bonita intenção de se manter como "guardião da unidade do partido".

Não é uma situação indesejada nem por Doria nem por Leite, já que a neutralidade de Virgílio iguala o jogo e dado também que, na matemática das prévias tucanas, o Amazonas tem peso muito pequeno — 1,08% no cômputo geral, menos que Rondônia, que tem 1,25%.

Neste momento, nas prévias do PSDB, o que importa mesmo é passar a impressão de que se vai ganhar. Numa disputa em colégio eleitoral fechado, com sistema eletivo complexo e voto secreto, o candidato que conseguir o feito leva as batatas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL