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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O apequenamento de Damares, feita dama-de-companhia de Michelle Bolsonaro

A ministra Damares Alves: prioridade agora para mulheres ricas e seus maquiadores - Reprodução / Internet
A ministra Damares Alves: prioridade agora para mulheres ricas e seus maquiadores Imagem: Reprodução / Internet
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

26/10/2021 12h05

"Tem algum impedimento na lei?", perguntou a ministra Damares Alves à reportagem do jornal O Globo.

Ontem, o jornal revelou que a ministra usou um jatinho da FAB para dar carona a sete parentes da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além da própria, num voo de 21 de agosto de Brasília para São Paulo, onde à noite, todos se divertiram na festa de aniversário do influenciador digital Agustin Fernandez, amigo e maquiador de Michelle.

O voo foi solicitado por Damares com a justificativa de levar a ministra a um evento do Pátria Voluntária, programa social coordenado pela primeira-dama. Segundo Damares, todos os parentes de Michelle Bolsonaro, e também seu maquiador — que na volta juntou-se à turma no jatinho para viajar a Brasília— eram "voluntários" do programa social.

Damares Alves, advogada e pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, de denominação pentecostal, chegou ao governo brandindo o dedo indicador para dizer que menina veste rosa e menino veste azul, mas também para fincar pé em defesa dos indígenas e das mulheres pobres, pautas mais dela do que do governo.

Em pouco tempo, no entanto, viu-se envolvida no lamaçal bolsonarista, acusada por um blogueiro, cuja mulher ela empregou no ministério e depois demitiu, de ter encomendado "reportagens negativas" sobre um concorrente que ameaçava tomar seu lugar no ministério, o pastor e deputado federal pelo PL Marcos Feliciano.

Oswaldo Eustáquio, o blogueiro bolsonarista preso e solto, preso e solto sob acusação de disseminar fake news por encomenda, diz que se arrependeu de ter difamado Feliciano ao atribuir-lhe supostos desvios de conduta de ordem íntima, mas não viu nenhuma indignidade em juntar à acusação contra Damares revelações da mesma ordem sobre a ministra — mais tarde suspeita de ser a responsável pela divulgação de um dossiê apócrifo contendo fotos de Eustáquio com a camiseta do Che Guevara e insinuações de traições no casamento, sendo que na gramática bolsonarista, o primeiro "crime" nem se compara ao segundo. Tudo de uma elegância sem par.

Agora, Damares, de defensora das mulheres pobres, veste o figurino de dama de companhia da mulher do presidente.

Apequena-se, como se apequenaram, entre outros, o general Eduardo Pazuello e os ministros Paulo Guedes e Marcelo Queiroga, de forma a caber em um governo cada vez menor — uma caquistocracia liderada por um presidente nanico que se decompõe à vista pública em tal velocidade que em breve virará não mais que uma triste e viscosa poça d'água.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL