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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Decisão sobre chapa Lula-Alckmin sai até o mês que vem

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

12/11/2021 10h52

Encerradas as prévias do PSDB e com Lula de volta da viagem à Europa, Geraldo Alckmin deve anunciar se será ou não candidato a vice-presidente da República na chapa do petista.

Hoje, a negociação entre o ex-governador de São Paulo e o ex-presidente passa pela mudança do tucano para o PSB.

O PSB se reaproximou do PT depois de receber a filiação de dois importantes aliados de Lula: o governador do Maranhão, Flávio Dino, vindo do PC do B; e o deputado federal Marcelo Freixo, que era do PSOL.

Agora, as siglas planejam se unir no plano nacional e também estadual. Em São Paulo, por exemplo, Márcio França, atual pré-candidato do PSB ao governo, entraria na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad, como vice ou senador. No Rio de Janeiro, o PT apoiaria a candidatura de Freixo.

"A ideia é construir uma grande aliança e um programa conjunto de governo", afirma um aliado de Alckmin, para quem tanto a filiação do ex-governador ao PSB como a formação da chapa com Lula estão "próximas e redondas".

Alckmin, que até há pouco tempo orgulhava-se de ser a "sétima assinatura" da carta de fundação do PSDB, justifica a ideia da aliança com o petista com o argumento de que a possibilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro representa uma real ameaça de ruptura democrática para o país. Ele também se considera alinhado com Lula nos projetos para o campo social.

Já Lula, o maior entusiasta da chapa com o agora quase ex-tucano, vê no ex-governador uma porta para adentrar no eleitorado conservador de São Paulo.

Nas tentativas de seduzir o tucano, Lula tem dito que precisa de um número dois "com tamanho de presidente". Sugere que Alckmin não será um vice decorativo, mas alguém que irá "dividir as tarefas" com ele.

Isso porque, caso saia vitorioso da eleição, afirma, terá de ausentar-se muito para "percorrer o mundo e refazer a imagem do Brasil". Quando se refere aos "laços comerciais que Bolsonaro destruiu", o petista cita o exemplo da Argentina e também da China e Índia.

Lula desembarcou ontem em Berlim, na Alemanha. É a primeira parada de uma turnê pela Europa destinada a encontrar lideranças políticas e sindicais na Bélgica, França e Espanha — e, principalmente, marcar um contraponto ao isolamento internacional de Bolsonaro.

A volta do petista é esperada para o final do mês, logo depois das prévias do PSDB, marcadas para o dia 21 de novembro.