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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Tebet evitará fala feminista e mirará eleitor que hoje vota "no menos pior"

A senadora Simone Tebet: com a estrada livre, desafio agora é manter candidatura de pé  - DIVULGAÇÃO/SIMONE TEBET
A senadora Simone Tebet: com a estrada livre, desafio agora é manter candidatura de pé Imagem: DIVULGAÇÃO/SIMONE TEBET
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

25/05/2022 12h02

Muitas cascas de banana pontilham o caminho da senadora Simone Tebet (MDB), prestes a ser sagrada pré-candidata à Presidência da República pelo chamado bloco da terceira via.

No percurso que se avista, a primeira dificuldade que a emedebista terá de vencer será a de se fazer conhecida. A segunda será a de, uma vez conhecida, agradar. Nesse sentido, sua equipe de pré-campanha está convencida de que enfatizar o discurso feminista não a ajudará.

Pesquisas qualitativas mostram que, no eleitorado médio brasileiro, a ideia de ampliação do espaço da mulher no poder é bem-vinda, e que os homens brasileiros, em geral, temem os prejuízos práticos de serem classificados como "machistas".

Ainda assim, a maior parte dos eleitores resiste a pautas como a ampliação do direito ao aborto, identificadas com o feminismo — palavra que, portanto, Tebet evitará. Nas palavras de um colaborador, ela "não irá reafirmar o tempo todo que é mulher, mas mostrar como isso se manifesta, por meio de um olhar mais carinhoso e atencioso diante dos problemas do país".

Até agora empacada na irrelevância do 1% de intenção de votos, a senadora e sua campanha apostam num crescimento a partir das inserções da propaganda partidária na TV do início de junho, e na esperança de, a partir daí, ganhar os votos do eleitor que hoje diz optar pelo "menos pior".

Na pesquisa encomendada pelo bloco da terceira via que serviu para justificar o abandono da pré-candidatura do tucano João Doria, um dos dados que mais chamou a atenção dos dirigentes foi o de que 20% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PL) e uma porcentagem ligeiramente menor do eleitorado de Lula (PT) "rejeitam" o seu próprio candidato e só declaram voto nele por ter uma resistência ainda maior ao seu oponente.

Esses seriam, portanto, votos passíveis de mudança e que, na opinião de pesquisadores, se não foram até hoje para o colo de Ciro Gomes (PDT) é porque não irão mais, dado que o ex-governador do Ceará, em sua quarta tentativa de chegar à Presidência da República, é um nome amplamente conhecido do eleitorado, ao contrário de Tebet.

Ontem, a senadora do MDB recebeu o apoio da Executiva Nacional do seu partido e o endosso do Cidadania à sua pré-candidatura.

Se nos próximos dias nenhuma outra surpresa vier do PSDB, o terceiro integrante da chamada terceira via, Tebet terá assegurado o seu nome como cabeça de chapa do bloco. A partir daí, o desafio será mantê-lo de pé.