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Em sabatina, Renata Souza erra comparações com outras candidaturas

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Imagem: UOL Confere

Nathália Afonso, Ígor Passarini, Gustavo Queiroz e Chico Marés

Da Agência Lupa

28/10/2020 20h17

A candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro Renata Souza (PSOL) foi a entrevistada de hoje na sabatina promovida pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo.

Na entrevista, a deputada estadual comentou sobre sua relação com outras candidaturas de esquerda, a gestão fiscal do município e suas propostas para a área de educação, entre outros assuntos. A Lupa checou algumas declarações da candidata. Confira:

[Nas últimas eleições] o Chico Alencar chega na frente [do candidato do PT], em 3º lugar.
Renata Souza (PSOL), candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina

Falso

Em 2018, na disputa para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro, o candidato Chico Alencar (PSOL) ficou em quinto lugar, com 9,17%, atrás de Lindbergh Faria (PT), que teve 10,17% dos votos. A diferença entre ambos foi de 138 mil votos. O ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM) ficou em terceiro, com 16,67% dos votos —e perdeu a eleição por pouco mais de 50 mil votos.

Os eleitos para as duas vagas foram Flávio Bolsonaro (PSL), com 31,36%, e Arolde de Oliveira (PSD), com 17,06%.

Procurada, a assessoria de imprensa da candidata disse que ela se referia aos dados municipais dos senadores eleitos, uma vez que a eleição atual é municipal. Em 2018, Chico Alencar ficou com 12,36% dos votos na cidade, enquanto Lindbergh ficou com 9,73%. "Houve um equívoco quanto à colocação, mas não ao mérito do argumento."

Vocês podem olhar que a única candidatura que se coloca [como] antibolsonarista é a nossa candidatura. Outras candidaturas estão dizendo que esse não é um debate para ser feito agora.
Renata Souza (PSOL)

Falso

Outras candidaturas se colocam publicamente como "antibolsonaristas", inclusive nos planos de governo. No programa registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo candidato Henrique Simonard (PCO), por exemplo, consta que "a palavra de ordem central da luta contra o golpe neste momento é precisamente o fora, Bolsonaro".

Além disso, em um documento disponibilizado pela assessoria do candidato Cyro Garcia (PSTU), cujo plano de governo não está disponível no site do TSE, é apresentado um texto intitulado "Fora, Witzel e Crivella! Fora, Bolsonaro e Mourão!". Já Benedita da Silva (PT) diz que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem uma "agenda antipovo e misógina".

Procurada, a assessoria de imprensa de Renata Souza disse que "fazer um comentário sobre o governo é muito diferente de se posicionar abertamente contra esse governo". Ela diz ainda que as candidatas Martha Rocha (PDT) e Benedita decidiram "não se posicionar" contra o presidente Jair Bolsonaro.

A nossa candidatura é a que tem menos rejeição.
Renata Souza (PSOL)

Exagerado

As últimas pesquisas de intenção de voto mostram que a rejeição de Renata está no mesmo patamar que outros sete candidatos. Divulgada no dia 22 de outubro, uma pesquisa do Datafolha mostrou que Renata tem apenas 8% de rejeição. Dois candidatos aparecem empatados tecnicamente nesse quesito, mas com um percentual menor: Martha Rocha (PDT) e Simonard, ambos com 7%.

Suêd Haidar (PMB) e Glória Heloiza (PSC) estão empatadas com Renata, com 8% de rejeição. Paulo Messina (MDB), com 10%, Bandeira de Mello (Rede) e Fred Luz (Novo), ambos com 9%, também estão empatados tecnicamente, embora apresentem um percentual maior.

A margem de erro da pesquisa do Datafolha é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento citado foi realizado nos dias 20 e 21 de outubro deste ano e contou com a participação de 1.008 entrevistas presenciais.

Procurada, a assessoria de imprensa da candidata afirmou que a resposta de Renata foi dada tendo por base o índice de conhecimento da candidata. "Ela é conhecida por apenas 26% da população e, nesse universo, tem 8% de rejeição. Martha Rocha é conhecida por 84%, com 7% de rejeição, portanto sobre uma base muito maior do que a de Renata", explica.

Essa explicação, contudo, não faz sentido: o índice de rejeição é calculado a partir do total da amostra, e não entre os eleitores que conhecem o candidato.

75% do eleitorado não conhece a nossa candidatura.
Renata Souza (PSOL)

Verdadeiro

Segundo pesquisa Datafolha publicada no último dia 22 de outubro, 74% dos eleitores do Rio de Janeiro não conheciam a candidata; 7% disseram conhecê-la muito bem, outros 7% disseram conhecê-la "um pouco"; e 12% conheciam de ouvir falar.

Dos 14 candidatos na disputa, apenas Luz, Haidar, Glória Heloiza e Simmonard são menos conhecidos do que Renata. O levantamento citado foi realizado nos dias 20 e 21 de outubro e contou com a participação de 1.008 entrevistas presenciais.

A gente tem aqui R$ 50 bilhões de dívidas [a receber] no Rio de Janeiro.
Renata Souza (PSOL)

Verdadeiro

De acordo com o relatório de prestação de contas do Rio de Janeiro de 2019, a capital fluminense encerrou o ano passado com uma dívida ativa bruta a curto e longo prazo —valores devidos e não pagos por empresas e pessoas físicas— de cerca de R$ 52,3 bilhões, sendo 94,4% desse total correspondente a impostos não pagos.

[R$ 50 bilhões de dívidas] é quase o dobro do orçamento da prefeitura.
Renata Souza (PSOL)

Exagerado

A Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê uma arrecadação R$ 32,8 bilhões para o município do Rio de Janeiro em 2020. Considerando os R$ 52,3 bilhões que a prefeitura tem a receber de pessoas físicas e jurídicas, a dívida ativa representa um valor 59% maior que o orçamento, e não o dobro.

Nunca na nossa história da cidade do RJ tivemos tantas candidatas mulheres.
Renata Souza (PSOL)

Verdadeiro

Nas eleições municipais deste ano, seis mulheres lançaram candidatura para a Prefeitura do Rio de Janeiro. São elas: Clarissa Garotinho (PROS), Benedita, Rocha, Glória, Renata e Haidar. Esse é o número mais alto de candidatas mulheres desde 1985, primeira eleição direta para a Prefeitura do Rio após a extinção do estado da Guanabara.

Em 2016, foram três candidatas: Carmen Migueles (Novo), Jandira Feghali (PCdoB) e Thelma Bastos (PCO). Em 2012, apenas uma: Aspásia Camargo (PV). Entre 1985 e 2008, o número de candidatas nunca passou de duas.

[Escolas de educação integral do município] (...) liberam a criança [às] duas horas da tarde.
Renata Souza (PSOL)

Verdadeiro, mas

As Escolas do Amanhã, programa criado pela prefeitura do Rio para ampliar o ensino integral no município, são divididas em três fases de ensino. Em duas delas, os alunos são liberados às 14h30. Os estudantes do Primário Carioca (crianças de seis a 11 anos) e do Ginásio Carioca (que engloba os três anos finais do Ensino Fundamental) permanecem na escola de 7h30 às 14h30.

Os únicos alunos que permanecem mais tempo dentro das instalações são as crianças do Espaço de Desenvolvimento Infantil, que oferece vagas de creches e pré-escolas. O site do programa mostra que o integral para essas crianças é das 7h30 às 16h30 ou das 7h30 às 17h30.

Contudo, além das Escolas do Amanhã, a rede municipal de educação conta ainda com outras 404 unidades de tempo integral. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o atendimento nessas escolas é de sete ou oito horas diárias, sendo que, geralmente, o período de aula vai de 7h30 às 15h30 ou 16h30.

Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Educação mostram que 35,51% dos alunos estão em tempo integral no município do Rio. A sexta meta do Plano Municipal de Educação, sancionado em 2018, previa que 45% das matrículas estivessem nessa modalidade de ensino em 2020. Isso não se concretizou.

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