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Bolsonaro já repreendeu apoiador por usar mesmo gesto feito por assessor

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

25/03/2021 21h52

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já repreendeu, em fevereiro de 2020, um apoiador por reproduzir gesto similar ao apresentado ontem (24) pelo assessor internacional Filipe Martins no Senado. O sinal é considerado obsceno e supostamente manifesta apoio a supremacistas brancos.

Um vídeo que circula em redes sociais mostra o presidente pedindo que um apoiador apague uma foto em que está ao seu lado fazendo o gesto.

O UOL Confere encontrou o vídeo publicado em um canal do YouTube no dia 20 de fevereiro de 2020. Nas imagens, o presidente conversa com apoiadores nas grades do palácio do Alvorada, em Brasília, e posa para fotos ao lado deles.

Após deixar um apoiador se aproximar para fazer uma selfie, Bolsonaro percebe que o homem fazia o sinal de "OK" com os dedos e alega que o gesto pode "pegar mal" para ele.

"Não faz esse gesto aí", diz o Bolsonaro. "Se não for um gesto bacana, pega mal para mim", acrescenta.

Um segurança do presidente pede que o apoiador apague a foto. Em seguida, Bolsonaro avisa aos seguranças para se manterem alerta com o público.

"Dá uma olhada nos gestos que o pessoal aí faz, tá?", diz o presidente.

Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o gesto feito por Martins, que será alvo de apuração no Senado a pedido do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O que é o gesto?

O sinal conhecido por significar "OK" vem sendo difundido principalmente nos Estados Unidos como um gesto ligado a movimentos supremacistas de extrema-direita.

No entendimento dos grupos, o "W" formado com os 3 dedos significa "White". E os outros 2 dedos formam a letra "P", o que seria uma sigla para "White Power", expressão que significa "Poder Branco" e expressa racismo.

O gesto foi reproduzido por grupos que invadiram o Congresso dos EUA, em janeiro deste ano, e também por um atirador que atacou mesquitas na Nova Zelândia, em 2019.

Alvo de críticas, Martins diz que ajeitava o terno

O Museu do Holocausto de Curitiba criticou Martins pelo gesto e afirmou receber denúncias similares semanalmente: "São atos que ultrapassam qualquer limite de liberdade de expressão".

"Estupefatos, tomamos notícia do gesto do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República durante sessão no Senado Federal. Semelhante ao sinal conhecido como OK, mas com 3 dedos retos em forma de "W", o gesto transformou-se em um símbolo de ódio", diz o texto.

Filipe Martins alegou, em seu perfil no Twitter, que estava ajeitando a lapela do terno e afirmou que as pessoas que o acusaram que reproduzir um gesto autoritário serão processadas.

"Um aviso aos palhaços que desejam emplacar a tese de que eu, um judeu, sou simpático ao 'supremacismo branco' porque em suas mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno: serão processados e responsabilizados; um a um", escreveu o assessor.

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