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Bolsonaro repete distorção sobre mortes por covid que circulou nos EUA

13.jan.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante live nas redes sociais - Arte/UOL sobre Reprodução/YouTube Jair Bolsonaro
13.jan.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante live nas redes sociais Imagem: Arte/UOL sobre Reprodução/YouTube Jair Bolsonaro

Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

13/01/2022 21h12Atualizada em 13/01/2022 21h16

O presidente Jair Bolsonaro (PL) reproduziu em sua live de hoje (13) uma alegação distorcida que teve origem nos Estados Unidos e minimiza a gravidade da pandemia de covid-19.

Bolsonaro disse erroneamente que 75% dos norte-americanos que morreram de covid-19 tinham quatro comorbidades e citou como fonte o CDC, órgão de saúde pública dos EUA. Isso é uma distorção de um dado de um estudo do CDC segundo o qual as mortes entre vacinados foram muito raras; e que, dentro deste universo de pessoas, os que morreram tinham comorbidades.

Segundo o estudo, somente 0,0033% de 1,2 milhão de vacinados entre dezembro de 2020 e outubro de 2021 morreram de covid, cerca de 4 mil pessoas. Destas, 78% (ou pouco mais de 3 mil) tinham ao menos quatro comorbidades.

A desinformação passou a circular nos EUA por meio de um trecho editado de uma entrevista da diretora do CDC, Rochelle Walensky. O corte foi feito de forma a omitir que o estudo envolveu apenas pessoas vacinadas, deixando a impressão incorreta de que a estatística reflete informações sobre todas as mortes por covid nos EUA.

Aqui também da CDC americana, 75% dos mortos por covid tinham quatro comorbidades. Esses números estão sendo compilados também na Saúde aqui. Quando tivermos mais condições, a gente vai revelar para vocês o percentual de quantos morreram. Obviamente, o percentual das pessoas que tinham alguma comorbidade."
Presidente Jair Bolsonaro (PL)

Antes da fala de Bolsonaro, esta mesma distorção já vinha circulando em posts em português, como mostrou checagem publicada pelo AFP Checamos ontem (12), atraindo mais de 10 mil interações nas redes sociais. A alegação incorreta já tinha sido desmentida pelo site americano PolitiFact.

A real fala da diretora do CDC

A entrevista de Rochelle Walensky citada por Bolsonaro foi concedida em 7 de janeiro ao programa Good Morning America, da emissora de televisão ABC News. Questionada sobre a chance de a sociedade continuar convivendo com o coronavírus e sobre a eficácia das vacinas, a diretora do CDC respondeu que dados de mais de 1,2 milhão de vacinados demonstraram que 0,015% deles desenvolveram quadros graves da doença e que apenas 0,0033% dos imunizados morreu.

O número esmagador de mortes [por covid entre pessoas imunizadas], acima de 75%, ocorreu em pessoas que tinham pelo menos quatro comorbidades."
Rochelle Walensky, diretora do CDC

Ao longo da pandemia, Bolsonaro usou a desinformação como recurso para minimizar a gravidade da covid. Em junho de 2021, por exemplo, o presidente distorceu o teor de um documento do TCU (Tribunal de Contas da União), afirmando que haveria uma suposta supernotificação de casos e óbitos gerados pelo vírus. Naquele momento, o Brasil se aproximava de 500 mil mortes pela doença. Hoje, em meio ao apagão de dados do Ministério da Saúde, esta cifra está em 620.609, segundo dados estaduais reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

O presidente também já havia reaproveitado desinformação vinda do exterior em uma live feita em outubro, quando reciclou conteúdos falsos estrangeiros para mentir sobre as vacinas contra a covid e o uso de máscaras.

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