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Bolsonaro ignora vacina e apagão de dados ao defender imunidade de rebanho

12.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante entrevista ao site Gazeta Brasil - Arte/UOL sobre reprodução/Facebook Jair Bolsonaro
12.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante entrevista ao site Gazeta Brasil Imagem: Arte/UOL sobre reprodução/Facebook Jair Bolsonaro

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

12/01/2022 13h50Atualizada em 12/01/2022 14h06

O presidente Jair Bolsonaro (PL) deu uma declaração insustentável em entrevista hoje (12) ao site Gazeta Brasil ao afirmar que a imunidade de rebanho está "salvando o Brasil" em meio ao aumento de casos de covid-19 decorrente da variante ômicron. Não há dados públicos que permitam tal afirmação, já que o país enfrenta um apagão de dados sobre covid desde o fim de novembro, nem se sabe ao certo qual a parcela da população que deve estar protegida para obter esta imunidade.

Ao defender a imunidade de rebanho, Bolsonaro também ignorou a relação entre o avanço da vacinação e a queda de casos graves e mortes pela doença antes da chegada da nova cepa do coronavírus ao país, assim como a falta de informações conclusivas, até agora, sobre o nível de proteção existente depois do surgimento da ômicron.

"No nosso entendimento, o que está mais salvando no Brasil é a imunidade de rebanho. Eu, por exemplo, não estou vacinado. E estou muito bem", disse Bolsonaro.

O conceito de "imunidade de rebanho" significa, de forma geral, que existe um número grande o suficiente de pessoas imunes contra uma doença — seja pela vacinação, seja pela infecção — para proteger o restante da população que não está imunizada. As estimativas feitas por cientistas do tamanho da fatia da população que precisa estar imunizada para conter a covid variam de 70% a 90%.

O governo Bolsonaro e aliados defenderam, ao longo da pandemia, que a imunidade de rebanho poderia ser obtida pelo contágio pela covid-19 em um momento no qual não havia vacina para a doença, o que foi muito criticado por especialistas devido ao risco de mortes e de sobrecarga dos sistemas de saúde. A CPI da Covid avaliou que o governo expôs a população brasileira ao risco de infecção em massa pela covid.

Vacina derrubou número de mortes

O único jeito seguro de se obter um patamar alto de imunização é por meio das vacinas, que passam por testes de segurança e eficácia antes de serem aplicadas na população.

A ômicron foi detectada na África do Sul, e a descoberta foi comunicada à OMS (Organização Mundial de Saúde) em 24 de novembro. No começo de dezembro, quando autoridades brasileiras confirmaram os primeiros casos por aqui, a vacinação já havia avançado a ponto de reduzir e muito o número de mortes causadas pela covid.

Em 1º de dezembro, o Brasil já tinha 63% da população completamente vacinada contra a covid, e havia encerrado novembro com média móvel de mortes diárias inferior a 300, de acordo com dados estaduais reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte. Quando o Brasil atingiu o pico de óbitos pela doença, no começo de abril, com média de 3 mil mortes diárias, nem 5% da população tinha concluído o ciclo vacinal.

Em meio ao avanço da ômicron, a média de mortes por dia continuou caindo e depois estabilizou em um patamar pouco superior a 100 óbitos, mas a quantidade de casos registrados — dentro do que pôde ser observado diante do apagão de dados e falta de testes — disparou, principalmente depois das festas de fim de ano.

Estudos preliminares e análises de especialistas da área médica têm indicado que a ômicron é mais contagiosa, mas menos grave do que cepas anteriores do coronavírus. Ainda não existem pesquisas conclusivas sobre o tamanho da proteção oferecida contra a ômicron pelas vacinas disponíveis. No geral, os primeiros estudos indicam que os imunizantes fornecem algum grau de proteção contra a variante, mas reforços podem ser necessários (veja aqui o que já se sabe sobre a ômicron).

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