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Procurado há quase 4 anos, médico Roger Abdelmassih é preso no Paraguai

Do UOL, em São Paulo

19/08/2014 15h37Atualizada em 19/08/2014 19h37

O médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por ter estuprado ou violentado 39 mulheres --foram levados em conta 56 casos, já que algumas pacientes relataram ter sofrido abusos sexuais por mais de uma vez--, entre os anos de 1995 e 2008, foi preso na tarde desta terça-feira (19), às 13h25 (horário do Paraguai).

Ele estava foragido desde janeiro de 2011 e chegou em Foz do Iguaçu, no Paraná, por volta das 18h40. A previsão é que Abdelmassih passe a noite na cidade paranaense e amanhã  (20) seja transferido para São Paulo entre 10h e 11h. A viagem entre Foz e a capital paulista dura cerca de duas horas.

Segundo a PF (Polícia Federal), a prisão de Abdelmassih foi realizada em uma operação em conjunto com a polícia paraguaia. A captura foi realizada em uma via pública do bairro Villa Morra, em Assunção, uma das áreas mais caras da capital paraguaia. O médico estava vivendo no país, com a mulher e os dois filhos de três anos, em uma luxuosa casa.

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

O advogado José Luís de Oliveira Lima, defensor de Abdelmassih, disse que só se manifestará após receber um comunicado formal da prisão por parte da Polícia Federal. Ele não confirmou se o médico foi preso.

Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou ter instaurado uma investigação criminal para apurar novos crimes praticados pelo ex-médico e por terceiro, tais como favorecimento pessoal, falsidade ideológica e falsidade material. Em maio, foi realizada uma busca e apreensão em uma fazenda de propriedade do médico em Avaré, no interior de São Paulo. 

Ao longo da investigação, segundo o MP, "ficou evidenciado o possível paradeiro do ex-médico no Paraguai e a Justiça estadual autorizou o compartilhamento das provas com a Polícia Federal, que evoluiu nas apurações."

O promotor Luiz Henrique Dal Poz disse à Folha de São Paulo que a Polícia Federal chegou ao paradeiro de Abdelmassih por causa da investigação de uma suposta lavagem de dinheiro praticada pelo ex-médico. 

Entenda o caso

O médico Roger Abdelmassih, um dos mais famosos especialistas em reprodução assistida do país, foi preso pela primeira vez no dia 17 de agosto de 2009. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após cerca de 60 mulheres afirmarem ter sofrido crimes sexuais durante consultas.

Formalmente, Abdelmassih foi acusado de estupro contra 39 ex-pacientes, mas como algumas relataram mais de um crime, há 56 acusações contra ele. Desde que foi acusado pela primeira vez, Abdelmassih negou por diversas vezes ter praticado crimes sexuais contra ex-pacientes. O médico afirmou que vinha sendo atacado por cerca de dois anos por um 'movimento de ressentimentos vingativos'.

Abdelmassih também chegou a afirmar que as mulheres que o acusam podem ter sofrido alucinações provocadas pelo anestésico propofol, usado durante o tratamento de fertilização in vitro. De acordo com ele, as pacientes podem 'acordar e imaginar coisas'. Segundo sua defesa, o médico nunca ficava sozinho com suas pacientes na clínica, estando sempre acompanhado por uma enfermeira.

Apesar da condenação, em novembro de 2010, o ex-médico não foi preso imediatamente em virtude de um habeas corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, em 2009. Em fevereiro de 2011, porém, o habeas corpus foi cassado pelo próprio STF.

Em janeiro de 2011, uma nova prisão foi decretada pela 16ª Vara Criminal da Capital, baseada na solicitação de renovação do passaporte do próprio médico, o que configurava risco de fuga. Ele, no entanto, conseguiu fugir do país e passou a constar na lista de criminosos procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). O acusado entrou com pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal), mas a Corte negou.

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