Com "voto de confiança", ônibus voltam a circular até as 19h na Grande Vitória

Paula Bianchi

Do UOL, em Vitória*

  • Paula Bianchi/UOL

    Ruas de Vila Velha, na Grande Vitória, amanheceram vazias nesta terça

    Ruas de Vila Velha, na Grande Vitória, amanheceram vazias nesta terça

Os ônibus voltaram a circular por volta das 9h desta terça-feira (7) na Grande Vitória, mas devem retornar às garagens às 19h, informou ao UOL o Sindirodoviários-ES (Sindicato Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Estado do Espírito Santo).

Ao menos 40% da frota deve operar nesse período em função da pouca quantidade de pessoas nas ruas. Os pontos de ônibus em Vitória, pelos quais a reportagem do UOL passou, estão praticamente desertos.

O período de circulação, porém, pode ser interrompido a qualquer momento, caso ônibus sejam queimados ou haja agressão a funcionários do sistema de transporte, comentou o presidente do sindicato, Edson Bastos. "Num ônibus, [se] machucou motorista, cobrador, nós voltamos para a garagem. Nós estamos dando um voto de confiança e retornando ao trabalho."

Segundo Bastos, as Forças Armadas --que estão fazendo a segurança no Estado-- estão garantindo proteção nos terminais de ônibus.

A reunião que decidiu pela volta ao trabalho dos rodoviários contou com a presença de representantes da Ceturb-GV (Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória) e da GV-Bus (Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória). 

Caso tudo transcorra normalmente hoje, a operação do sistema de transporte público deve ser normalizada na quarta-feira (8). "Se a gente tiver segurança nesse dia de hoje, amanhã a vida volta ao normal".

Clima de feriado

Após a notícia de que os ônibus voltariam a circular, uma funcionária de uma empresa de administração predial da capital que não quis se identificar disse ter recebido uma ligação da chefia pedindo que fosse ao trabalho. Acostumada a entrar às 8h, a mulher esperava o coletivo em um ponto do bairro Jardim Penha às 11h20.

Ela já estava ali há 20 minutos no ponto, segundo contou à reportagem. "Liguei [para o trabalho] e disse que eles precisavam se responsabilizar pela minha segurança, eles dizem que tem, mas não vi nada de PM nem de Exército na rua", disse a mulher que combinou com a chefia de esperar até 40 minutos antes de desistir e voltar para casa.

A presença de militares e da Força Nacional não foi suficiente para encorajar os moradores de Vitória e da região metropolitana a retomarem a rotina. Com a PM nos quartéis e batalhões, a maioria das ruas permaneciam vazias e o comércio, fechado no começo da manhã desta terça, em uma espécie de feriado forçado.

Ao menos 250 integrantes das Forças Armadas já estão no Espírito Santo, segundo o comando do Exército na região. A expectativa é de que mais 1.000 cheguem, ainda hoje, ao Estado, disse o secretário de Segurança Pública capixaba, André Garcia, à "Record TV". "Estamos garantindo a segurança para que a vida volte ao normal", disse, qualificando a suspensão do serviço de policiamento como "um movimento irresponsável".

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No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais. Desde então, sem patrulhamento nas ruas, uma onda de violência tomou diversas cidades. 

A Justiça do Espírito Santo declarou ilegal o movimento dos familiares dos PMs. Segundo o desembargador Robson Luiz Albanez, a proibição de saída dos policiais caracteriza uma tentativa de greve por parte deles. A Constituição não permite que militares façam greve. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil caso a decisão seja descumprida.

A ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirma não ter relação com o movimento. De acordo com o cabo Thiago Bicalho, do 7º Batalhão da Polícia Militar do Estado e diretor Social e de Relações Públicas da associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, as negociações sobre salários e condições de trabalho de policiais serão feitas apenas quando o patrulhamento na rua for retomado e a situação estiver controlada.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse, na segunda (6), que militares das Forças Armadas ficarão no Espírito Santo durante o "tempo necessário" para que a ordem no Estado seja restabelecida.

*Colaborou Nathan Lopes, do UOL, em São Paulo

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