Mesmo com presença do Exército, Vitória tem comércio fechado e ruas vazias

Paula Bianchi

Do UOL, em Vitória

  • Gilson Borba/Colaboração para o UOL

    O comércio amanheceu fechado na avenida Expedito Garcia, no bairro Campo Grande, em Cariacica, na Grande Vitória, devido à greve da PM

    O comércio amanheceu fechado na avenida Expedito Garcia, no bairro Campo Grande, em Cariacica, na Grande Vitória, devido à greve da PM

A paralisação informal dos policiais militares do Espírito Santo chegou ao seu quinto dia nesta quarta-feira (8) –familiares dos agentes protestam desde sábado (4) em frente aos batalhões, supostamente impedindo a saída dos policiais.

Apesar da presença do Exército e da Força Nacional nas ruas desde terça (7), pelo terceiro dia consecutivo a maior parte dos lojistas de Vitória e da região metropolitana manteve as portas fechadas e os moradores têm evitado sair.

De acordo com o Sindicato do Policiais Civis do Estado, desde o início da paralisação foram registradas 87 mortes. No ano passado, segundo o governo capixaba, o Estado teve 1.181 homicídios dolosos, uma média de 3,22 homicídios por dia. Desde sábado, essa média passou para 9,66.

Entre 7h e 9h30, a reportagem do UOL cruzou com apenas uma equipe do Exército, que policiava a entrada do terminal de trem no município de Curiacica, na região metropolitana de Vitória.

Dono de duas lojas de acessórios para telefones em Vitória, Danilo Fonseca teve os dois estabelecimentos arrombados –um na madrugada de terça e outro nesta quarta-- e questiona o policiamento realizado pelas forças de segurança enviadas ao Estado.

Exército, que Exército? Não tenho visto ninguém na rua. Como 200 militares vão dar conta de um Estado inteiro?

Danilo Fonseca, comerciante

Ele conta que entraram de ré em uma de suas lojas por volta das 4h desta quarta, levando tudo o que havia dentro. Na madrugada de terça, tentaram arrombar o outro estabelecimento, mas um vizinho atirou para cima, assustando os criminosos.

Moradora do bairro Jardim Penha, em Vitória, Maria Caetana, 80, discutiu com a filha para sair de casa. "Ela não queria que eu viesse, estava com medo, mas quem vai comprar comida? Preciso ir ao mercado", diz.

"A rua está vazia, vazia. Todos presos em casa."

No Hotel Bristol, no bairro Praia do Canto, um aviso no elevador pede desculpas aos hóspedes pelos inconvenientes causados pela crise e avisa dos riscos de deixar o local. "A falta de policiamento nas ruas vem provocando confusão e insegurança", diz o texto.

Considerando que não tem policiais nas ruas, a orientação é evitar sair.

Comunicado do Hotel Bristol

No geral, apenas padarias, alguns supermercados e farmácias abriram as portas. Os ônibus não circularam hoje, e as repartições da prefeitura e do governo do Estado também estão fechados.

Alexandra Sgaria, 41, esperava desde agosto por uma consulta com um hematologista no Centro Regional de Especialidades Metropolitano. Veio até a capital com outros moradores de Venda Nova (113 km de Vitória) e de municípios da região em uma van fretada pela prefeitura, mas encontrou o posto de saúde fechado.

"Saí 3h30, disseram que iriam abrir. E agora, fico outros oito meses esperando uma consulta? Está na hora de pararam de brincar com as pessoas e pararem com essa greve", diz.

Entenda a crise no Espírito Santo

No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

A Justiça do Espírito Santo declarou ilegal o movimento dos familiares dos PMs. Segundo o desembargador Robson Luiz Albanez, a proibição de saída dos policiais caracteriza uma tentativa de greve por parte deles. A Constituição não permite que militares façam greve. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.

A ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirma não ter relação com o movimento. Segundo a associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento real, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

A SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social) contesta as informações passadas pela associação. Segundo a pasta, o governo do Espírito Santo concedeu um reajuste de 38,85% nos últimos 7 anos a todos os militares e a folha de pagamento da corporação teve um acréscimo de 46% nos últimos 5 anos.

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