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Companheira de Marielle permanece 7 horas na Delegacia de Homicídios para depoimento

18.mar.2018 - Monica Benício, companheira de Marielle Franco, durante protesto na Maré - Bárbara Lopes/Agência O Globo
18.mar.2018 - Monica Benício, companheira de Marielle Franco, durante protesto na Maré Imagem: Bárbara Lopes/Agência O Globo

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio*

20/03/2018 14h26Atualizada em 20/03/2018 18h26

Muito abalada, a arquiteta Monica Tereza Benício, companheira da vereadora Marielle Franco --assassinada junto ao motorista, Anderson Gomes, na última quarta-feira (14)-- prestou depoimento na DH (Delegacia de Homicídios) no Rio de Janeiro na tarde desta terça-feira (20). Ela permaneceu cerca de sete horas na delegacia.

Uma assessora do PSOL também foi ouvida pela polícia a respeito do caso. Elas chegaram por volta de 10h45 e deixaram a DH às 18h, sem falar com jornalistas. A assessora que prestou depoimento hoje não é a mesma que estava no carro com Marielle no dia do crime.

O objetivo da Polícia Civil quanto aos depoimentos é entender a motivação do crime, segundo informou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), amigo pessoal da vereadora havia mais de dez anos. Ainda de acordo com ele, mais políticos do PSOL e familiares devem ser ouvidos ao longo desta semana. Os depoimentos serão dados na tentativa de elucidar o crime.

Freixo não prestou depoimento nesta terça. "Só vim conversar com eles [investigadores] e acompanhar a depoimentos", declarou. Ele disse também que Monica "está muito abalada" com o assassinato e pediu que ela seja preservada pela imprensa.

"Nossa ansiedade é muito grande e nossa angústia é maior ainda", disse Freixo sobre o desenrolar das investigações.

"É um crime contra a democracia. Esse caso precisa ser esclarecido porque coloca várias outras pessoas em risco. Quando se afronta a democracia, o Estado tem que responder por isso. A polícia tem noção disso. É hora de muito diálogo com os setores da polícia e tentar ter calma [quanto à elucidação do crime]", continuou o deputado.

Freixo não deu detalhes a respeito do que sabe sobre o andamento das investigações a fim de não prejudicá-las.

"Há uma confiança [de que o crime será elucidado] entre amigos, equipe e investigação. O diálogo está sendo muito fraterno e cuidadoso. A gente não pode achar que o caso vai ser resolvido no tempo da nossa angústia", avaliou Freixo.

Freixo voltou a afirmar que Marielle nunca recebeu nenhuma ameaça e que isso é consenso entre amigos, familiares e correligionários de partido.

[O assassinato] foi fruto de uma vingança, de uma vingança que chegou sem ameaça. Uma vingança muito brutal e inaceitável, uma interrupção da democracia. Tentaram calar a Marielle. Só que não sabiam quem era a Marielle e o mundo está respondendo.

Marcelo Freixo, deputado estadual (PSOL)

Freixo lembrou do ato desta quarta, marcado por movimentos sociais e que tem quase 53 mil pessoas confirmadas.

"Hoje é um dia das pessoas irem para as ruas. Hoje é um dia das muitas Marielles aparecerem em praça pública, rezarem pela Marielle. A Marielle foi um exemplo muito importante é muito forte para muita gente", afirmou.

Disque Denúncia Marielle - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Pistas sobre o assassinato

O Disque Denúncia informa que já recebeu 40 denúncias sobre o caso e encaminhou tudo para a polícia. O anonimato é garantido. Quem tiver qualquer informação a respeito da identificação e localização dos assassinos pode usar os seguintes canais para denunciar:

  • Whatsapp ou Telegram: (21) 98849-6099
  • Central de Atendimento do Disque Denúncia: (21) 2253-1177

*Colaborou Luis Kawaguti, do UOL, no Rio

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