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"Dá um aperto no coração voltar", diz aluna em Suzano

Nathan Lopes

Do UOL, em Suzano (SP)

18/03/2019 12h37

A volta de alunos e pais à Escola Estadual Raul Brasil pela primeira vez desde o massacre que terminou com a morte de dez pessoas foi dura. Lágrimas, choro e abraços entre crianças, adolescentes e adultos ligados diretamente à tragédia foram comuns na saída da escola estadual.

Por volta das 9h50 de hoje, a entrada foi liberada para que alunos e pais pegassem os pertences que foram deixadas para trás durante a fuga na última quarta-feira.

"Dá um aperto no coração voltar", disse Franciele, 16, aluna do segundo ano.

Ela chegou a aparecer nas imagens feitas por câmeras de segurança que mostram o massacre, passando do lado de um dos assassinos. "Passei no corredor que tinha gente caída. Dá um aperto... dá vontade de chorar".

Funcionários e professores abraçaram pais e alunos. "Falaram que é para a gente ter força, que vai melhorar, que a gente tem que passar por tudo isso juntos", disse Franciele.

Mais cedo, professores e funcionários foram à unidade de ensino para conversar sobre à volta das aulas. A escola será aberta aos alunos amanhã com atividades opcionais. Ainda não há previsão de quando as aulas serão retomadas.

Nem todos os alunos quiseram ou tiveram condições de ir à escola recolher os pertences. Alguns preferiram que os pais fossem. Foi o caso de Leticia da Silva Reis, 15, do segundo ano.

Quem pegou seu material foi seu pai, Rogério Ferreira Reis. Ele disse que concordou com a decisão da filha. "O impacto seria muito grande para ela".

Os pertences da maior parte dos alunos estão do jeito que foram deixados. Apenas alguns, que estavam espalhados, foram armazenados na secretaria da escola.

"Eu tive de entrar na sala para pegar. Alguns cadernos estavam com caneta em cima", conta Reis, que relata ter visto alunos emocionados dentro da escola. "Choram muito. Abraçam as professoras, os funcionários."

É uma alegria triste. Deus poupou a vida da minha filha, mas, infelizmente, muitos não tiveram essa sorte

Rogério Ferreira Reis, pai de aluna

País e alunos receberam flores dentro da escola. Com elas, veio um bilhete da diretoria de ensino. "Com uma saudação fraterna e dolorosa, nós nos unimos a todos", diz trecho do bilhete.

Psicólogos estão de plantão para prestar apoio à comunidade escolar. A direção da unidade de ensino ainda irá discutir quando as aulas serão retomadas.

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