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Cotidiano

Crivella admite falhas, mas pede 'bom senso': 'são milhares de morros'

Luciana Quierati e Marcela Lemos

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, no Rio

09/04/2019 18h19

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), voltou a dizer que a prefeitura não agiu adequadamente ("faço uma autocrítica", disse à noite) para evitar as dez mortes decorrentes do temporal, mas pediu "bom senso" da população.

"É muito importante que a população do Rio de Janeiro se conscientize definitivamente de que nós vivemos numa cidade com encostas íngremes e sujeitas a deslizamentos. As pessoas em época de chuva não devem sair de casa, e se saírem não devem seguir pelas avenidas próximas as encostas", afirmou agora à noite.

"É uma questão de bom senso. É impossível fazer contenção da cidade inteira. São milhares de morros", completou.

As mortes registradas hoje no Rio foram resultado de diferentes situações relacionadas às chuvas:

  • Três pessoas morreram soterradas em um carro, ao sair de um shopping na zona sul - eram avó, neta e um motorista de táxi
  • Três pessoas morreram em uma casa em uma comunidade em área íngreme - o Morro da Babilônia, na zona sul
  • Duas pessoas morreram afogadas - um na Gávea, na zona sul, ao cair da moto, e outro em Santa Cruz, na zona oeste
  • Um teria eletrocutado ao tentar tirar a água que invadiu a casa, em Santa Cruz, na zona oeste
  • Outro foi encontrado morto em Guaratiba, na zona oeste, em meio a inundações e as circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas

'Mea Culpa' de novo

Em entrevista a jornalistas, Crivella disse que deveriam ter sido destinadas equipes de limpeza e drenagem a áreas com previsão de maior volume de chuva - o que não foi feito, mesmo com o histórico de temporais e estragos que a cidade tem, especialmente nesses primeiros meses do ano.

"Deveríamos ter colocado equipes em lugares com maior probabilidade de impacto", disse o prefeito. "Vamos nos reunir com os secretários [antes de a chuva ocorrer] e decidir todos juntos para onde vão as maiores equipes."

Faço uma autocrítica. Não implementamos [o plano de ação] como deveria
Marcelo Crivella, prefeito do Rio

O prefeito se refere a equipes de drenagem, da Comburb (de limpeza urbana), que poderiam atuar de maneira preventiva minimizando os efeitos dos temporais.

"Pode ser que a gente coloque equipe na zona sul e caia chuva na zona norte. [Mas] Vamos colocar carros da Comlurb, pessoas da drenagem e vamos botar equipes ao invés de tomar as decisões quando as coisas ocorrerem", afirmou o prefeito.

Mais cedo, Crivella afirmou que as sirenes de emergência, para avisar a população sobre chuvas fortes, nao funcionaram no morro da Babilônia, onde três pessoas acabaram sendo mortas soterradas.

Segundo ele, os pluviômetros marcaram 35 mm de chuva, e as sirenes estavam programadas para tocar com 55 mm. "Revemos o protocolo e depois descemos para 45. Na Babilônia, chegamos a 39 mm. Não era uma chuva que inspirava riscos maiores [no local]", disse.

Estágio de crise

"Não vamos conseguir sair do estágio de crise hoje", afirmou o prefeito no início desta noite.

O estágio de crise é o terceiro em uma escala de três, que indica maior gravidade das condições da cidade. Recomenda-se, nessa situação, evitar áreas de encostas e permanecer em locais seguros.

Ele também disse que a Avenida Niemeyer, importante ligação das zonas oeste e sul, deve permanecer fechada amanhã.

"Vamos remover toda terra que desceu e também todas as árvores, porém como o solo ainda está muito encharcado, é uma decisão da GeoRio de que é melhor esperar amanhã secar o solo para garantir que não ocorram novos desabamentos... É importante que antes de reabrir, se certifique que não terá novos desabamentos", afirmou Crivella.

Gabinete de crise no estado

O governador do Rio, Wilson Witzel, informou em nota no final da tarde que determinou a criação de um gabinete de crise para lidar com os danos provocados pelas chuvas no estado. Ele esteve reunido com sua equipe e colocou à disposição dos prefeitos a infraestrutura da administração estadual.

Witzel se solidarizou com as vítimas. "Quero prestar minha solidariedade a todas as vítimas nesse momento tão difícil de perdas humanas. Estamos sensíveis a essa realidade e lamentamos muito que isso tenha acontecido. Vamos tomar todas as providências para ajudar o máximo possível e trabalhar 24 horas para isso", disse.

O comunicado do governo também informa que o Corpo de Bombeiros registrou mais de 2 mil ocorrências nas últimas 24 horas em todo o estado, quando a média diária é de 1.200 ocorrências.

Chuva continua

Desde a noite de ontem a cidade está em estado de crise, considerado o mais grave numa escala de três, segundo o Centro de Operações da prefeitura, que, em seu último boletim, divulgado às 17h05, previa mais chuva moderada ainda para hoje, podendo ser forte em pontos isolados.

Depois da chuva da noite de ontem e madrugada, a cidade amanheceu com um cenário caótico, resultado de deslizamento de encostas, alagamentos de ruas, queda de árvores e muitas vias bloqueadas. Aulas foram suspensas e a prefeitura recomendou que as pessoas não saíssem de casa caso possível.

No total, 39 sirenes foram acionadas em 21 comunidades e áreas de riscos de deslizamentos, segundo a prefeitura.

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