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Bombeiros encontram mais um corpo quase intacto em Brumadinho

Área conhecida como Remanso 2, onde foi encontrado mais um corpo em Brumadinho - CBM-MG/Divulgação
Área conhecida como Remanso 2, onde foi encontrado mais um corpo em Brumadinho Imagem: CBM-MG/Divulgação

Luciana Quierati

Do UOL, em Brumadinho (MG)

11/07/2019 19h31

O Corpo de Bombeiros localizou às 15h30 de hoje mais um corpo de vítima da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro. Ele estava a três metros de profundidade em uma área chamada de Remanso 2, que é a mesma onde outro corpo quase intacto foi encontrado na sexta-feira (5).

Segundo o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, o corpo está quase completo, faltando apenas um dos membros inferiores, mas, devido ao estado avançado de decomposição, não foi possível verificar nem sexo nem idade aproximada da vítima.

O corpo foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte e, havendo arcada dentária, a identificação pode sair em algumas horas, a exemplo dos últimos corpos localizados em estado semelhante.

Este é o quarto corpo quase intacto encontrado em pouco mais de um mês e depois de muitas semanas em que os bombeiros só vinham localizando fragmentos de corpos, como partes de tecidos e ossos.

Nos três casos anteriores a este, foi possível a identificação da vítima via exame odontológico, ou seja, a partir da comparação da arcada com radiografias odontológicas feitas para algum tratamento ou em razão, por exemplo, de algum implante.

O corpo encontrado no dia 3 foi identificado quatro horas depois de dar entrada no IML. O corpo achado dois dias depois, na quinta, foi identificado 11 horas após ter sido encontrado em meio ao rejeito que escorreu da barragem.

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Também como no caso dos outros três, o corpo encontrado hoje estava em estado de saponificação, quando a estrutura ganha textura semelhante à de um sabão, ficando, portanto, mais conservado do que se estivesse desde o dia da tragédia em um ambiente ao ar livre.

A umidade do terreno, a ausência de oxigênio e a própria existência de minério no terreno são fatores apontados para esse tipo de conservação.

Até que o corpo seja identificado, o número de vítimas permanece o mesmo de sexta-feira, quando da última identificação: 248 mortos e 22 desaparecidos.

A área de Remanso 2 é uma entre uma dezena de pontos em que os bombeiros têm concentrado seus esforços nas buscas, por ver neles uma maior probabilidade de localizar vítimas - apontada pelo cruzamento de dados a cargo do setor de inteligência criado para a operação.