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À beira de mil mortes: quarentena enfraquece em SP e MG quer suspendê-la

Pessoas enfrentam fila e aglomeração para acessar agência bancária no bairro do Meier, no RJ - ALEXANDRE BRUM/ESTADÃO CONTEÚDO
Pessoas enfrentam fila e aglomeração para acessar agência bancária no bairro do Meier, no RJ Imagem: ALEXANDRE BRUM/ESTADÃO CONTEÚDO

Clarice Cardoso

Do UOL, em São Paulo

10/04/2020 01h12

Resumo da notícia

  • País deve ultrapassar mil mortos por covid-19 nesta sexta-feira
  • SP já começa a registrar retorno de aglomerações no estado e na capital
  • Doria anunciou que pode multar ou prender quem descumprir isolamento
  • Em MG, Zema pretende flexibilizar medidas de restrição na próxima semana

Há menos de um mês, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizava a pandemia de covid-19 alegando, em 22 de março, que ela não chegaria a matar 800 pessoas. Nesta sexta, contudo, é provável que o país supere as mil mortes confirmadas, já que 941 óbitos foram compilados ontem e a média de novas confirmações supera uma centena desde terça (7).

Apesar do crescimento diário no número de casos, o país ainda não atingiu o pico do surto. O Ministério da Saúde estima que o Brasil entre daqui um mês na fase de aceleração descontrolada de casos do novo coronavírus — o início desta etapa está previsto para a 19ª semana do ano, ou seja, entre 4 e 10 de maio.

Hoje, a pasta confirmou a projeção e afirmou que em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Amazonas, onde há maior concentração de casos, é esperado que o pico da transmissão do vírus ocorra entre o fim deste mês e o início de maio.

Diante desse cenário, Bolsonaro tem focado suas declarações sobre a crise em dois temas: a adoção da hidroxicloroquina como tratamento e a crítica ao isolamento social com o argumento de que é preciso salvaguardar a economia.

Com o último argumento, porém, contraria as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), as de seu próprio governo e as de muitos governadores que, ao adotarem medidas de restrição social, tornaram-se alvos recorrente do presidente.

Em sua live semanal ontem, o presidente citou decisão do Supremo Tribunal Federal que o impede de intervir nas decisões dos estados e orientou que seus apoiadores que discordem dessas medidas voltem dirijam suas queixas a esses governadores e prefeitos.

"Não vou entrar em polêmica aqui, a decisão do Supremo, então [é]: quem decide são os governadores, são os prefeitos, e o presidente da República, no caso o chefe do Executivo federal, não posso entrar nessa área aí", afirmou, acrescentando que pretendia recorrer da decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Governadores adotam posturas opostas

Considerado uma das principais medidas de enfrentamento à crise por permitir aos países "tempo extra" ao desacelerar o contágio e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde, o isolamento vem perdendo força em São Paulo, o estado mais afetado pela pandemia no País.

Já há alguns dias, o fluxo de pessoas nas ruas vem aumentando e ontem a cidade de São Paulo registrou uma pequena lentidão por excesso de veículos. Os bancos e supermercados têm sido os maiores pontos de aglomerações de pessoas. Pelo menos três redes bancárias afirmaram ao UOL que têm, diariamente, filas e aglomerações de pessoas do lado de fora de suas unidades na capital paulista.

Como resposta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), prometeu adotar medidas mais duras de isolamento caso a população continue desrespeitando a orientação. Se a adesão à quarentena não chegar a 60% a partir de segunda-feira, o governo pode adotar multas e até prisões para quem desobedecer.

Já em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou ontem, após reunião com Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o estado deve apresentar na semana que vem um protocolo para liberação de medidas de isolamentos social. "Queremos fazer algo muito responsável. (...) Posso dizer que Minas tem feito a lição de forma adequada. Mas cabe a cada prefeito analisar sua situação."

A pauta do encontro era um pedido de auxílio financeiro para o estado durante o período de crise.

Segundo o governador, o presidente recebeu "bem" o pedido. Tanto é que, na transmissão em suas redes sociais, citou Zema como exemplo do grupo de governadores e prefeitos com planos de flexibilizar as ações de restrição.

Na avaliação do presidente, o Brasil só tem condições de manter medidas econômicas de combate à crise provocada pela covid-19 por até três ou quatro meses. "Por mim, quem não tem medo de quarentena já deveria estar trabalhando", defendeu.

A OMS, contudo, pede cautela na retirada de medidas de distanciamento social, sob risco de um resultado catastrófico como uma nova explosão de casos.

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