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PM do Pará expulsa cabo Leno, apontado como principal miliciano do Norte

Heleno Arnaud Carmo de Lima, o cabo Leno, tido como miliciano pelo MP-PA - Reprodução
Heleno Arnaud Carmo de Lima, o cabo Leno, tido como miliciano pelo MP-PA Imagem: Reprodução

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 12h32

A PM (Polícia Militar) do Pará expulsou do seu quadro de funcionário Heleno Arnaud Carmo de Lima, conhecido como cabo Leno, apontado pelo MPE (Ministério Público Estadual) como o principal miliciano em atividade no Norte do Brasil.

Condenado a 8 anos de prisão por crime de concussão (vantagem indevida recebida por funcionário público por causa de sua função) e violência contra pessoa, o agora ex-policial está preso desde janeiro do ano passado.

Atualmente, ele está recluso no presídio Anastácio das Neves, em Santa Isabel, no nordeste do estado. Essa prisão é destinada exclusivamente para servidores públicos que cometeram crimes. A defesa do ex-policial nega as acusações.

A expulsão foi assinada segunda-feira (25) pelo comandante da PM, o coronel José Dílson Melo de Souza Júnior, e publicada no Diário Oficial na terça-feira (26). O comandante determinou imediato recolhimento da célula de identidade funcional de Leno.

Chefe de milícia

Segundo a Promotoria Militar, cabo Leno é o chefe da milícia M da Pedreira, que fica no bairro de mesmo nome na capital paraense.

De acordo com a Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social), ele teve envolvimento direto na chacina que vitimou 28 pessoas entre os dias 20 e 21 de janeiro de 2017, na região metropolitana de Belém.

Cabo Leno ao ser detido e apresentado à Justiça Militar do Pará em janeiro de 2019 - Divulgação/MP-PA - Divulgação/MP-PA
Cabo Leno ao ser detido e apresentado à Justiça Militar do Pará em janeiro de 2019
Imagem: Divulgação/MP-PA

Áudios gravados pela Promotoria em 2017 revelaram o envolvimento de policiais militares nesse grupo de extermínio. Os assassinatos em série ocorreram em 11 bairros de Belém, Icoaraci, Marituba e Ananindeua, após o assassinato do soldado da Ronda Tática Metropolitana Rafael da Silva Costa, 29.

De acordo com a denúncia do promotor de Justiça Militar Armando Brasil Teixeira, os seis policiais denunciados, liderados pelo cabo Leno, eram parte de uma organização que orquestrava e executava crimes. A investigação apontou a participação dos denunciados em milícia e homicídio.

Segundo o MP, provas materiais e testemunhos que indicaram que essa milícia fazia arrombamentos, ameaças de mortes e intimidações em troca de vantagem econômica, além de praticar furtos a residências.

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Ameaça de morte a promotor

Em entrevista ao UOL, o promotor Armando Brasil afirmou que "a expulsão do cabo Leno foi resultado de uma ampla investigação que as polícias Civil, Militar e Federal realizaram com o acompanhamento da Promotoria Militar desempenhada após a morte de 27 pessoas em 48 horas na região metropolitana".

"Foi feita interceptação telefônica do militar e constatamos que o mesmo integrava uma rede de policiais que praticava extorsão. Ele foi condenado a 8 anos de prisão por crime de concussão e violência contra pessoa e agora foi expulso da PM", disse.

Segundo o promotor, no ano passado ele disparou um áudio o ameaçando de morte. "Ameaçou policiais civis também no ano passado", disse.

De acordo com Brasil, o cabo Leno era o sucessor do cabo Pet, o primeiro policial reconhecido como chefe de milícia no estado, morto em 2014.

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