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Advogados são suspeitos de lavar R$ 14 milhões em três anos para o PCC

13.fev.2019 - Comboio da Polícia Federal, Força Nacional e Depen leva presos do PCC da penitenciária Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, para a nova penitenciária federal de Brasília - Pedro Ladeira - 13.fev.2019/Folhapress
13.fev.2019 - Comboio da Polícia Federal, Força Nacional e Depen leva presos do PCC da penitenciária Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, para a nova penitenciária federal de Brasília Imagem: Pedro Ladeira - 13.fev.2019/Folhapress

Josmar Jozino, Flávio Costa e Luís Adorno

Colaboração para o UOL, e do UOL, em São Paulo

16/06/2020 04h00

Advogados já condenados por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) movimentaram juntos, em suas respectivas contas bancárias, R$ 14 milhões no período de janeiro de 2014 a abril de 2017, sem declarar a origem das quantias. A suspeita é a de que eles tenham cometido o crime de lavagem dinheiro a mando da maior facção criminosa do país.

A informação consta em documentos da investigação conduzida pela Polícia Civil paulista, cujo conteúdo o UOL teve acesso exclusivo. Técnicos da Superintendência da Receita Federal em São Paulo e do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro, do Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista, rastrearam as contas bancárias de todos os investigados.

Doze advogados apresentaram em suas contas bancárias movimentações em crédito incompatíveis com o patrimônio declarado.

Uma advogada da zona oeste paulistana é acusada de ter movimentado R$ 2,9 milhões. Segundo a Polícia Civil, os créditos em nome dela superaram em 25 vezes os rendimentos declarados, evidenciando incompatibilidade patrimonial.

Nas contas bancárias de uma advogada de Birigui, no noroeste do Estado, acusada de cooptar o ex-vice-presidente do Condepe Luiz Carlos Santos para os quadros do PCC, foram rastreados créditos de R$ 1,5 milhão.

Os técnicos da Receita Federal detectaram um movimento de R$ 1,2 milhão na conta do marido de uma advogada de Campinas. Para a Polícia Civil, ele foi usado como "laranja" pela mulher.

Foram rastreados ainda R$ 1,2 milhão em nome de um advogado com escritório no Tatuapé, na zona leste da capital paulista, e R$ 1 milhão nas contas de um advogado de Santos, na Baixada Santista.

Os demais profissionais da advocacia investigados apresentaram movimentações bancárias inferiores a R$ 1 milhão. Os valores variavam entre R$ 774 mil a R$ 956 mil.

Operação Ethos

Os advogados já haviam sido indiciados em inquérito policial em fevereiro de 2017 e até hoje o processo tramita na 1ª Vara Criminal de Presidente Venceslau, a 610 km da capital paulista. A cidade ficou conhecida por concentrar membros da cúpula do PCC até que eles fossem transferidos para o sistema prisional federal, no começo de 2019 - entre eles, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder da facção. Mesmo assim, integrantes de segundo escalão do grupo criminoso continuam a cumprir pena nos presídios locais.

marcola - Lucio Tavora/Xinhua/Folhapress - Lucio Tavora/Xinhua/Folhapress
Marcola é considerado o chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital)
Imagem: Lucio Tavora/Xinhua/Folhapress

Dos 12 indiciados, 11 já foram presos e condenados na ação penal da Operação Ethos, deflagrada em novembro de 2016. Eles foram condenados sob a acusação de integrar a célula "sintonia dos gravatas", como é conhecido o braço jurídico do PCC.

Quando foram interrogados nas fases de inquérito e judicial, os 12 advogados negaram envolvimento com o PCC e alegaram que não praticaram nenhum ato ilícito.

Para o Gaeco, os investigados "dissimularam a origem, a natureza do dinheiro recebido e cometeram crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores".

O delegado Everson Contelli, que coordena as investigações, pediu à Justiça de Presidente Venceslau a quebra do sigilo bancário de 63 pessoas. As apurações avançaram e o total de suspeitos subiu para 85. A Justiça deferiu o pedido.

O policial mencionou ainda no relatório que, durante as investigações financeiras, foram identificados CPFs de agentes públicos vinculados às movimentações financeiras dos advogados suspeitos.

Segundo ele, um relatório técnico apontando os vínculos de agentes públicos com os investigados foram encaminhados às Corregedorias do Sistema Penitenciário e das Policias Civil e Militar.

O processo corre em segredo de Justiça. A 1ª Vara Criminal de Presidente Venceslau quer ouvir os suspeitos mais uma vez e já começou a intimá-los para novas audiências.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Esse e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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