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Aluno de medicina é detido por manter a mãe em cárcere privado no Paraná

Mulher precisou de atendimento médico após ser resgatada de cárcere privado no Paraná - Divulgação/Polícia Civil
Mulher precisou de atendimento médico após ser resgatada de cárcere privado no Paraná Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa

01/07/2020 18h10

Uma professora aposentada de 52 anos está internada desde anteontem no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, no Paraná, depois de ser resgatada pela Polícia Civil de um cárcere privado na casa onde mora. Ela estava trancada em casa pelo próprio filho, um estudante de medicina de 27 anos, que foi preso em flagrante.

A mulher precisou de atendimento médico após os agentes verificarem hematomas e sinais de desnutrição na vítima. Ela foi resgatada de dentro de um quarto, seminua, sem cobertores e suja de urina em cima de uma cama. A Polícia Civil não soube precisar por quanto tempo a mulher estava nessas condições.

O cômodo onde a vítima estava tinha papel alumínio nas janelas impedindo a entrada da luz do sol e impossibilitando o contato com a vizinhança, relataram os agentes. Foi o próprio suspeito que abriu a porta aos policiais e, em depoimento, negou o crime. O interior da casa também apresentava um forte odor não identificado.

De acordo com a delegada Mônica Ferracioli, a Polícia Civil tomou conhecimento do fato depois de uma denúncia anônima feita pelo Disque 100 apontando cárcere privado e maus-tratos contra a mulher. O Ministério Público (MP) do Paraná também recebeu o caso e solicitou à Justiça um mandado de busca e apreensão para resgatar a vítima.

"Ela estava na casa desnutrida, tanto que nem conseguiu sair do imóvel. Foi preciso chamar uma ambulância. Lá, havia um odor horrível, com a casa toda suja. A vítima encontrava-se dormindo sem cobertor em um colchão todo urinado. Era uma bagunça, com os vidros todos tampados", descreveu a delegada.

À delegada, o estudante contou que é acadêmico em uma faculdade de medicina no Paraguai, na fronteira com o Brasil. Eles são de Pernambuco e chegaram ao Paraná em novembro de 2019 por conta da graduação. A mãe teria seguido com o filho para acompanha-lo. É com o dinheiro da aposentadoria dela como professora que ambos se sustentam em Foz do Iguaçu, apurou a investigação.

Aparentemente, de acordo com a polícia, o suspeito não dava sinais de que estava com problemas psicológicos ou mentais. Ele negou o cárcere privado. Em depoimento, o acadêmico justificou os hematomas na mãe como decorrentes de quedas na casa e argumentou que ela não saia porque tinha medo de contrair o novo coronavírus. Apesar de ainda estar no primeiro semestre da graduação, o jovem ainda disse que não levava a mãe ao médico porque cursava medicina.

A Polícia Civil quer confirmar essa versão ouvindo testemunhas. Para a delegada, "é meio estranho" que a mãe tenha seguido o filho, sendo que ela não está separada do pai do suspeito. A vítima será ouvida somente ao deixar o hospital. Os familiares de Pernambuco também devem ser consultados pela investigação. O suspeito foi liberado provisoriamente e responde o inquérito em liberdade.

"Demos prioridade ao atendimento médico dela. Como temos alguns dias para concluir o inquérito, iremos ouvi-la após alta do hospital. Ele falou que, como o pai trabalha o dia inteiro no sítio em Pernambuco, decidiu trazer a mãe. É uma história meio estranha", adiantou Mônica Ferracioli.

Cotidiano