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Ex-vereador é investigado como mandante do assassinato de Marielle, diz TV

Caso Marielle pode estar próximo do desfecho

Do UOL, em São Paulo

17/08/2020 21h17

Um relatório da Polícia Federal obtido pelo telejornal SBT Brasil aponta que, quase dois anos e meio após o crime, as investigações sobre quem mandou matar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) podem estar mais próximas de uma conclusão.

O documento da PF estabelece pela primeira vez uma ligação direta entre Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e o motorista a Anderson Gomes, e um dos investigados como mandante do crime: o ex-vereador do Rio Cristiano Girão Matias (ex-PMN, hoje sem partido).

Girão perdeu o mandato em 2010 após ser condenado a 14 anos de prisão por chefiar uma milícia na comunidade Gardênia Azul, na zona oeste do Rio. Ele cumpriu pena e hoje está em liberdade condicional.

Ainda de acordo com o relatório federal entregue à Polícia Civil do Rio, Lessa teria cometido um assassinato de um casal em 2014, a mando de Girão.

Em setembro do ano passado, o UOL revelou que Lessa chefiava uma milícia na Gardênia Azul, de acordo com um relatório de inteligência do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Girão foi indiciado pela CPI das Milícias

Girão foi indiciado pela CPI das Milícias, presidida pelo psolista Marcelo Freixo, para quem Marielle trabalhou como assessora.

Responsável pelo inquérito, a Polícia Civil do Rio investiga a hipótese de o assassinato da vereadora ser uma resposta à atuação de Freixo na comissão —ele seria o alvo inicial. Como o plano não deu certo, Marielle foi a vítima, assim como Anderson Gomes, que dirigia o carro em que ela se encontrava.

No dia do crime, o ex-vereador passou dez horas em uma churrascaria na Barra da Tijuca. Enquanto ele estava lá, Marielle não foi a única assassinada: Marcelo Diotti da Mata, marido da ex-mulher de Girão, também foi morto, atingido por tiros de fuzil M-16.

No dia seguinte, Cristiano Girão prestou depoimento à Delegacia de Homicídios — conforme apurado pelo UOL no ano passado, ele apresentou a longa refeição como álibi.

Ele negou qualquer envolvimento com os ataques e disse ter ficado sabendo das mortes de Marielle, Anderson e Marcelo pelo noticiário. O ex-sargento do Corpo de Bombeiros afirmou não conhecer a vereadora e também negou ter feito ameaças à ex-mulher e ao seu companheiro.

Os policiais não fizeram perguntas sobre o tempo que o ex-vereador permaneceu na churrascaria, parte dele em companhia do ex-investigador Wallace de Almeida Pires, o "Robocop", expulso da Polícia Civil em 2012 sob a acusação de integrar a milícia chefiada por Girão na Gardênia Azul. Rocobop foi assassinado a tiros em julho de 2019, no Rio.

Girão esteve na Câmara de Vereadores uma semana antes do atentado contra Marielle, como revelou o site "The Intercept Brasil".

A PF suspeita que a Delegacia de Homicídios responsável pela investigação do caso tenha milicianos infiltrados, e os casos não solucionados seriam indício da suposta promiscuidade entre agentes da lei, milicianos e alguns clãs da máfia dos jogos no Rio.

Por sua vez, Lessa negou em depoimento à Justiça que tenha qualquer contato pessoal com Girão.

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