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Secretário de Polícia Civil nega execuções no Jacarezinho: 'Nada concreto'

De acordo com o delegado Allan Turnowski, a operação ocorreu "dentro da legalidade imposta pelo STF" - Divulgação/Polícia Civil
De acordo com o delegado Allan Turnowski, a operação ocorreu "dentro da legalidade imposta pelo STF" Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Colaboração para o UOL

11/05/2021 14h48

O secretário de Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, negou que na operação que deixou 28 mortos na comunidade do Jacarezinho, entre eles um policial, tenha havido execuções.

Em entrevista ao RJTV, da Globo, Turnowski pediu paciência e garantiu "transparência absoluta" nas investigações sobre possíveis excessos cometidos na ação.

"A reação da polícia depende da reação dos criminosos. Traficantes do Jacarezinho atiravam para matar policias [...] Quem determina o desfecho da operação é o traficante. Quando a polícia entra num ambiente confinado, dentro de várias casas, segundo noticiado, o traficantes tem duas opções: ou ele se agarra a família, faz refém, ou se esconde para ir para confronto. As marcas que eu vi são de confronto. Não temos uma família refém, não temos ninguém negociando. Então, a princípio, não tenho nada de concreto que me leve as execuções [...] A transparência vai ser absoluta. O que a gente não pode é concluir antes de investigar", afirmou.

Hoje, o MP-RJ (Ministério Público do Rio) anunciou a criação de uma força-tarefa para apurar as mortes na favela. A operação é considerada a mais letal da história do estado.

Turnowski encarou a decisão do órgão como um sinal de "apoio".

"Precisamos de controle externo do MP para que as conclusões a que chegarem sejam de confiança da população. Temos o apoio de mais de 90% da população da ação. Hoje é uma luta do estado contra uma facção criminosa", disse.

Após cobrança de entidades ligadas aos direitos humanos, a polícia divulgou o nome de todos os mortos dois dias depois da ação.

Ainda segundo o secretário, o Rio está mais seguro "sem esses 27 criminosos neutralizados".

"Eu garanto que o Rio está mais seguro sem esses 27 criminosos neutralizados. As ações fazem com que esses criminosos não sirvam de exemplo para as crianças [...] A gente precisa que no início quando essa criança entra para o tráfico, que não é o filho do líder— esse está estudando fora, esse ele não quer no tráfico— Essa é a hora dos diretos humanos nos apoiar e não permitir que essa criança entre no tráfico, não quando ele vira um adulto e nos enfrenta. Aí falam que a polícia não pode agir. Então o momento dos direitos humanos é ali na frente", opinou.

A Polícia Civil garante que todos os 27 mortos eram suspeitos de envolvimento com o tráfico. Porém, dois dos mortos não tinham ficha criminal, segundo um relatório sigiloso da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil ao qual o jornal O Globo teve acesso. Do total de mortos, quatro eram inicialmente alvo da operação.

Questionado se a ação teria violado a determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, que impedia a realização de operações durante a pandemia, Turnowski garante que tudo ocorreu "dentro da legalidade imposta pelo STF".

"No início da decisão, havia muita dúvida de como aplicá-la. Hoje, a gente chegou a um protocolo de atuação: comunicar o MP e acompanhar a investigação. A polícia trabalhou totalmente dentro da legalidade imposta pelo STF. Não é excepecional traficantes dentro de uma laje e entrando na casa de moradores? Não é excepcional o tiro na cabeça de um policial na entrada? Não é excepcional granadas mostradas para todo Brasil explodindo no Jacarezinho? O que vai ser excepcional então?", questionou.

Semana passada, Fachin pediu investigação do caso ao procurador-geral da República, Augusto Aras, após ter dito que há fatos "graves" e indícios que poderiam configurar "execução arbitrária".

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