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Segurança pública

Após um mês, PM não identificou donos de drogas encontradas em batalhão

31.ago.2021 - Policial militar de São Paulo em atuação no centro da cidade de São Paulo, SP - Willian Moreira/Estadão Conteúdo
31.ago.2021 - Policial militar de São Paulo em atuação no centro da cidade de São Paulo, SP Imagem: Willian Moreira/Estadão Conteúdo

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

25/09/2021 04h00

Após mais de um mês de investigação, a Polícia Militar do estado de São Paulo ainda não identificou quem colocou uma grande quantidade de droga —maconha, crack e cocaína— dentro de um armário do 2º Baep (Batalhões de Ações Especiais de Polícia), em Santos, no litoral paulista. Até agora, nenhum policial foi afastado de suas atividades.

A informação foi confirmada ao UOL por meio da Lei de Acesso à Informação. A Corregedoria da PM encontrou as drogas no dia 10 de agosto e apreendeu o material.

Segundo o registro da ocorrência, de maconha, foram encontrados 307 pacotes, 50 potes de acrílico e um saco da droga com 1,252 kg. De cocaína, havia no armário 814 pinos, 34 pacotes e 14 sacos com 8,6 kg do entorpecente. Já de crack os PMs dizem ter flagrado 1.202 pedras, que pesavam 400 gramas.

A justificativa da PM é a de que o caso ainda está sendo investigado.

Informo que apesar da localização de drogas e armas, está sendo apurado no inquérito a quem pertenciam tais ilícitos, dessa maneira, não há policiais afastados."
Resposta da PM à reportagem

Procurada, a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo remeteu a resposta à PM, que citou "detalhes sigilosos". "A Polícia Militar esclarece que o caso é investigado pela Corregedoria por meio de inquérito policial militar. Todos os detalhes são sigilosos, conforme previsto no Código de Processo Penal Militar", disse, em nota, a corporação.

O que surpreende especialistas em segurança pública é a demora em localizar envolvidos no caso, conforme explica a pesquisadora em política públicas e membro do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Isabel Figueiredo.

"Concretamente, a situação é diferente se tivesse uma pronta identificação dos envolvidos. Neste caso, do ponto de vista preventivo, é possível imaginar que eles foram afastados. Considerando o tempo [de mais de um mês], o que tinha de ter era posicionamento melhor da polícia de resultado da investigação, não é uma unidade gigante, com milhares de funcionários, em um mês já deveriam ter chegado em alguém", afirma Figueiredo.

"[O prazo de um mês] É mais do que razoável para identificar envolvidos, inclusive por conta da gravidade do caso. Não é um prazo razoável para concluir o inquérito ou uma punição propriamente dita. Mas uma investigação com resultados concretos já era possível", complementa.

Baep mais letal da PMSP

Alavancados pelo governo de João Doria (PSDB), os Baeps são batalhões conhecidos como "padrão Rota". A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é o batalhão especial da PM que atua em operações mais complexas e graves.

Pelo menos até 2019, quando o último relatório da Ouvidoria das Polícias sobre o tema foi divulgado, o 2º Baep de Santos era o campeão de mortes praticadas por PMs no estado. O levantamento da Ouvidoria, à época, mostrou que o batalhão mais letal de São Paulo havia matado 27 pessoas entre janeiro e novembro daquele ano.

O segundo batalhão mais letal era o 6º BPM (Batalhão de Polícia Militar), também da cidade santista, que matou nove pessoas no mesmo período. À época, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não comentaria pesquisas cuja metodologia desconhece, mas disse que, em São Paulo, todas as ocorrências com morte decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas.

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