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1 mês

Cracolândia: vídeo flagra guardas civis agredindo mulher; confira

Do UOL, em São Paulo

28/05/2022 17h54

Homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) da prefeitura de São Paulo agridem uma mulher na Rua Helvétia, região central da capital paulista, onde circulam frequentadores da chamada cracolândia. É o que mostra um vídeo que está circulando nas redes sociais neste sábado (28).

Nas imagens, uma pessoa é seguida por três guardas. Um deles a acerta pelas costas, enquanto ela caminhava. Sem reagir, ela parece apenas argumentar, quando um outro uniformizado usa spray diretamente contra o rosto dela.

As cenas acontecem no dia seguinte a uma nova operação policial para coibir o tráfico de drogas no centro de São Paulo. A operação desta sexta-feira (27) foi realizada com intenso aparato policial, que incluiu veículos da GCM (Guarda Civil Metropolitana), blindado do GER (Grupo Especial de Reação) e até mesmo um atirador de elite. O objetivo era cumprir 31 mandados de prisão em aberto de pessoas ligadas ao narcotráfico.

Procurada a Prefeitura disse, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), que afastou os agentes "flagrados em atos inaceitáveis e que não representam o padrão de atuação da Guarda Civil Metropolitana (GCM)".

"Uma sindicância foi instaurada para apurar os fatos e aplicar as punições cabíveis. A gestão municipal não compactua com irregularidades e todo caso de desvio de conduta é rigorosamente apurado", disse a prefeitura em nota enviada ao UOL.

A ação na cracolândia

Em 11 de maio, a operação com participação das polícias Civil e Militar e da GCM (Guarda Civil Metropolitana) desocupou o ponto de uso e tráfico de drogas da praça Princesa Isabel.

Isso fez com que o fluxo de venda e uso de drogas se espalhasse por novos pontos na região central da cidade, causando sensação de insegurança em moradores e comerciantes, que passaram a chamar o local de "nova cracolândia".

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), se posicionou esta semana de maneira favorável às operações.

"Em relação à 'cracolândia', nós temos que ter clareza de que a polícia é para combater traficante e tratamento para ajudar os dependentes químicos. É muito mais fácil ter a adesão ao tratamento com a dispersão. Isso acabou acontecendo com o aumento na procura de tratamento", disse.

Morte em ação

O assassinato de uma pessoa em situação de rua em meio a uma ação policial levou a Defensoria Pública a também encaminhar um documento à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, pedindo proteção a quem vive em situação de rua na cracolândia.

Três policiais se apresentaram alegando terem realizados disparos na ocasião, um dia após o início da dispersão dos frequentadores do local.

No texto, assinado em conjunto com a ONG Conectas Direitos Humanos, o órgão cita ações violentas da GCM (Guarda Civil Metropolitana) na retirada dos moradores, incluindo chutes, agressões com cassetetes, tiros de bala de borracha e até mordida de cães conduzidos pelos agentes.

O padre Julio Lancelotti acusou os agentes de quebrar barracas e tomar cobertores de pessoas em situação de rua.

O UOL flagrou uma dessas agressões, quando um agente atingiu a cabeça de uma pessoa em situação de rua na avenida Rio Branco com um golpe de cassetete.

Com sangramento, o homem foi socorrido e levado ao hospital em seguida. As fotos feitas pela reportagem após a agressão foram encaminhadas à Conectas Direitos Humanos e à GCM, que diz investigar o caso.

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