Conteúdo publicado há 2 meses

Advogada: Prova contra Brennand é importante, mas palavra da vítima também

A palavra da vítima na Justiça sempre é "deslegitimada" e "desacreditada", disse a advogada Amarílis Costa no UOL News da manhã desta segunda-feira (4), após um áudio inédito obtido com exclusividade pelo UOLrevelar que Thiago Brennand confessou um estupro.

A palavra da vítima é bastante deslegitimada. Muitas vezes o fato dos crimes sexuais acontecerem na calada de noite ou em espaços privativos, onde somente o abusador e a vítima estão presentes, faz com que a comprovação dos fatos seja muito difícil, justamente porque existe uma violência de gênero que também é social, que faz com que as mulheres sejam constantemente desacreditadas.

Em situações como essa, que, no caso de Brennand, já existem outras acusações e vítimas, onde um áudio delimita a conduta e demonstra os fatos narrados pela vítima, pode ser de suma importância para deputar a conduta dele em casos similares.

Mesmo com o áudio da confissão e outras provas, a advogada também diz que é importante dar valor à palavra da vítima.

É muito importante reafirmar que a palavra da vítima tem valor. A palavra da vítima deve ser olhada pelo Judiciário com especial atenção e proteção. Violência de gênero e violência doméstica são muito cruéis e acontecem muitas vezes no silêncio das casas, fazendo com que aconteça a dupla vulnerabilização da vítima, tanto pelo crime terrível, mas, também, pela vítima ter que ir às autoridades contar a história novamente e ser desacreditada.

O que aconteceu

Réu em diversos processos, em casos de estupro e agressão, Brennand está detido no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, em São Paulo. Ele aguarda sentença sobre este caso e já foi condenado em outro caso de estupro e um de agressão.

Uma das mulheres que acusam Thiago Brennand de estupro gravou uma conversa com a confissão do empresário, em setembro de 2021. "Eu fiz à força e com raiva, não fiz?", Brennand perguntou à mulher. "Fez", ela respondeu. "E você dizendo 'não, não', eu fiz com raiva. Beleza. Tá certo. Eu assumo", acrescentou.

O advogado de Brennand, Roberto Podval, foi procurado nos dias 23 e 30 de novembro, para comentar o conteúdo dos áudios, mas não respondeu. Em 1º de dezembro, ele foi procurado por telefone e depois respondeu por mensagem: "Tudo que posso lhe dizer é que os casos estão em segredo de Justiça, estamos impedidos de nos manifestarmos".

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