Conteúdo publicado há 1 mês

PM acusado de matar jovem com tiro nas costas em SP vai a júri popular

O policial militar Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli, réu pela morte do jovem Rogério Ferreira da Silva Júnior, de 19 anos, em agosto de 2020, irá a júri popular no próximo dia 5 de março. A vítima foi morta no dia do próprio aniversário com um tiro nas costas durante abordagem na região do Parque Bristol, zona sul da capital paulista.

O que aconteceu

Giacomelli é réu por homicídio qualificado. A qualificadora adicionada na denúncia do Ministério Público, e aceita pela Justiça, foi de recurso que dificulta ou impossibilita a defesa da vítima. Na denúncia, feita em novembro de 2020, o promotor Neudival Mascarenhas Filho reforçou que a vítima estava desarmada e foi baleada pelas costas, sem qualquer possibilidade de defesa.

Júri popular do PM está previsto para ocorrer no próximo dia 5, às 13h (horário de Brasília). O julgamento acontecerá no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.

PM foi absolvido na Justiça Militar pelas acusações de fraude processual e prevaricação no caso, segundo a defesa dele. Na época, o MP declarou que Guilherme e um parceiro policial "solicitaram apoio [na ocorrência] alegando que se tratava de acidente trânsito, escondendo o disparo de arma de fogo" que atingiu Rogério.

Defesa alega 'legítima defesa'

Defesa alega "legítima defesa" do cliente. "Ficou claro durante o curso do processo que o soldado agiu em legítima defesa putativa, ou seja, foi uma reação a uma situação que constatou ser de ameaça à sua própria vida", explicam os advogados de defesa do militar, Flávia Artilheiro e Richard Nogueira.

Defensores disseram que militar já recebeu ameaças de morte. As ameaças teriam ocorrido na época do crime, quando o agente foi preso preventivamente, com um colega que estava na abordagem, para evitar interferências na investigação. Os advogados apontam que o cliente está sendo "julgado por uma narrativa que não condiz com a realidade dos fatos". Na época do crime, o agente tinha 22 anos e estava há seis meses atuando no patrulhamento de rua, como mostrou o colunista do UOL Josmar Jozino.

Está comprovado no processo que os policiais solicitaram o socorro imediatamente, assim como é comprovado que houve falha no sistema de comunicação no dia dos fatos. Guilherme era um jovem policial que se defendeu numa situação de perigo e seguiu os protocolos normativos de segurança
Defesa de PM

Relembre o crime

Jovem foi morto durante uma abordagem policial na região do Parque Bristol, zona sul da capital paulista. De acordo com a polícia, Rogério estava em atitude suspeita, dirigindo uma moto sem placa na Avenida dos Pedrosos. Ele foi abordado por integrantes das Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), mas não parou. Segundo o boletim policial, ocorreu uma perseguição, durante a qual o jovem teria tentado derrubar uma das motos da patrulha.

Continua após a publicidade

Agentes afirmaram que a vítima desceu da motocicleta e colocou a mão na cintura, simulando estar armado. Neste momento, Giacomelli disparou contra o homem. O jovem chegou a ser socorrido por pessoas que estavam no local, segundo os policiais, acabou levado a um pronto-socorro, onde morreu. Na época do crime, moradores da região fizeram protestos nas ruas.

Na época do ocorrido, Giacomelli alegou que agiu em legítima defesa porque achou que a vítima estava armada e ia tentar fugir da abordagem. Nenhuma arma foi encontrada com a vítima.

Vítima não tinha antecedente criminal. A moto que ele ocupava, emprestada por um amigo, não tinha queixa de furto nem de roubo, e estava em situação regular.

Mãe da vítima disse que PMs não deixaram filho ser socorrido rapidamente. "Ele morreu diante dos meus olhos e sem socorro. Os PMs só deixaram levá-lo depois que ele tinha morrido", contou Roseane da Silva Ribeiro ao UOL, em setembro de 2020. No dia do aniversário de Rogério, Roseane havia acordado o filho de surpresa e mostrou que havia comprado um bolo para ele. Disse que à noite todos comemorariam juntos depois que ela fizesse o cabelo de uma cliente. "Guardei o bolo e fui me arrumar. Dez, 15 minutos depois, chegou um vizinho avisando que tinham atirado nele. O bairro inteiro já estava lá", relatou na época.

Deixe seu comentário

Só para assinantes