Reservado e prestativo: quem era empresário morto com doce envenenado no RJ

O empresário Luiz Marcelo Antonio Ormond, 44, que foi encontrado morto, era um homem reservado e prestativo com a família, segundo o primo dele, Bruno Luiz Ormond, 50. A namorada dele, Júlia Andrade Cathermol Pimenta, é suspeita de ter matado o companheiro com um "brigadeirão" envenenado, e está foragida.

Quem era o empresário

Ao UOL, Bruno se diz abalado com o ocorrido com o primo, que foi encontrado morto dentro do próprio apartamento, no dia 20 de maio. Vizinhos sentiram um cheiro forte vindo do apartamento e acionaram a polícia. Ele havia sido visto pela última vez no dia 17 de maio.

Ele não merecia o que aconteceu. Foi tudo muito cruel
Bruno Luiz Ormond

O primo da vítima disse ainda que "Marcelinho", como era mais conhecido, costumava ser mais reservado, principalmente após a morte da mãe, há cerca de um ano.

Empresário era conhecido como "Marcelinho"
Empresário era conhecido como "Marcelinho" Imagem: Reprodução/Facebook

Bruno contou ainda que ele não teve muitas ex-namoradas e que a suspeita se reaproximou dele justamente em um momento de maior vulnerabilidade —eles já se conheciam. A vítima não tinha irmãos e nem filhos.

Ela ficou sabendo [que os pais dele tinham morrido] e se reaproximou dele. Eles começaram a se encontrar e a se relacionar.

Marcelinho vivia da renda do aluguel de apartamentos, segundo Bruno, o que teria atraído ainda mais a suspeita, de acordo com ele.

A vida dele era mais essa: ficar na casa dele, circular pelos comércios pela região, como na padaria e em um salão de beleza que fica na frente da residência dele.

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A vítima também era muito prestativa e responsável, de acordo com o primo. Marcelinho passava boa parte do tempo ajudando uma das tias dele, que mora em Copacabana, no Rio.

Ele fazia compras e mercado para ela. Marcelinho estava pensando em alugar o apartamento dele para ir morar perto dela e de outro primo nosso.

Bruno conta ainda que, alguns dias antes de morrer, o primo estava se queixando de problemas de saúde. "Ele se queixava por estar se sentindo com tontura e sem enxergar direito. Ele sabia que não estava bem", disse.

O que aconteceu

Luiz Marcelo Antônio Ormond foi encontrado morto no dia 20 de maio. Vizinhos sentiram um cheiro forte vindo do apartamento e acionaram a polícia. Ele havia sido visto pela última vez no dia 17 de maio. Câmeras de segurança registraram o momento em que Luiz e Júlia deixam a piscina e entram no elevador. As imagens mostram que ele segura um prato e ela uma cerveja. Em determinado momento, eles se beijam.

O corpo do empresário foi encontrado no sofá do apartamento. O imóvel fica localizado no Engenho Novo, na zona norte do Rio. Conforme o laudo do Instituto Médico Legal, o homem morreu de três a seis dias antes de o corpo ser encontrado. A causa da morte foi inconclusiva.

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A suspeita teria reclamado do mau cheiro do corpo, segundo mulher presa por envolvimento no crime, e que se apresenta como cigana. informação foi repassada à polícia em depoimento pela cigana Suyaney Breschak, presa ontem por supostamente ter ajudado Julia a se desfazer dos bens do namorado.

Mulher chegou a dizer que havia "um urubu na janela". Julia teria permanecido no apartamento da vítima por dias. Corpo foi encontrado após vizinhos se incomodarem com cheiro forte, e acionarem a polícia.

Para a polícia, o crime foi premeditado. "Nos parece que ela já estava dopando ele há algum tempo, e em determinado momento resolveu ceifar a vida dele para poder colocar em prática o plano criminoso e atingir o objetivo que seria pegar os bens dele", acrescentou o delegado.

Uma cigana foi presa na terça-feira (28), suspeita de envolvimento no crime. Suyane Breschak foi detida em Cabo Frio (RJ) e transferida para a capital. Ela é suspeita de ajudar Júlia a vender alguns bens do empresário. A audiência de custódia de Breschak está marcada para esta quinta-feira (30).

O UOL tenta contato com a defesa das duas suspeitas de envolvimento na morte de Luiz Marcelo. O espaço segue aberto para manifestação.

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