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Covas se humilha e Joice é "língua de aluguel", diz França em convenção

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

11/09/2020 13h28

O PSB confirmou hoje a candidatura do ex-governador Márcio França a prefeito de São Paulo. Em discurso na Câmara Municipal, onde foi realizada a convenção do partido, França fez críticas ao governador João Doria (PSDB) e o atual prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição. Também houve referência à candidata do PSL, a deputada federal Joice Hasselmann, que seria uma "língua de aluguel" de Doria, na visão de França.

O candidato também deu a entender que eleição deve se resumir entre ele e a candidatura do PSDB. "Só há uma disputa aqui. É nós contra eles. O resto é tudo pinto, como a gente fala, o resto é tudo pato. Eles sabem disso. E é por isso mesmo que eles vão tentar fugir." As falas do ex-governador deram uma ideia de qual deve ser o tom da campanha, que começa no final do mês.

Sem citar o nome de Doria, França referiu-se ao governador como "mestre de cerimônias", se referindo às três entrevistas semanais concedidas à imprensa sobre a pandemia do novo coronavírus. "É o que ele sabe fazer. Ele é excelente fazendo isso, bom para conduzir evento. Mas ele não tem noção do que ele está fazendo ali [no governo]."

"Coisa periférica"

O candidato também disse que Covas se humilha, que seria tratado "como coisa periférica", "de mentirinha" por Doria. "Nas condições em que ele aceitou ser prefeito, e nas condições que ele está aceitando essa humilhação, eu jamais aceitaria. Porque a pessoa pode me convencer, mas não vai colocar canga em mim."

Apesar dos ataques ao atual prefeito, ele lembrou o avô de Covas, o ex-governador Mário Covas, morto em 2001, que teria sido importante em sua trajetória política, disse. "Me orientou muito."

Apesar das críticas a Doria, ele disse que irá dialogar com o governador caso seja eleito. "Com a mesma altura, porque o prefeito não é menor que o governador, e o governador não é menos que o presidente da República, e o prefeito não é menos que o presidente. E o Bolsonaro é o presidente, nós vamos falar com ele, não há problema. Mas cada um na sua, no seu quadrado."

Diálogo com Bolsonaro

França disse que, em seu mandato, ele irá mostrar que é possível conviver mesmo sendo "completamente antagônicos", em referência a Bolsonaro, mas sem citar o presidente. Acenos do candidato a Bolsonaro causaram o afastamento de Marta Suplicy (Solidariedade), cotada para ser sua vice, que rompeu com o partido após o Solidariedade anunciar apoio a França.

"O fato de eu ser de um jeito e outro, e outro de outro não quer dizer que você é inimigo. Nós pensamos diferente, só isso, e você me respeita por isso e eu te respeito por isso", disse.

"Orientação espiritual" de Joice

Joice foi citada quando o candidato levantou a tese que o PSDB teria "línguas de aluguel e bonecos de ventríloquo". "Eu sei como é que eles fazem. Eles vão ajudar alguns candidatos e eles que vão fazer o papel de ficar brigado com a gente." França lembrou que Joice o criticou sob "orientação espiritual de alguma coisa ali passando perto do Morumbi", em referência ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

França, hoje, possui a segunda maior coligação, atrás apenas de Covas. Ele possui em sua aliança o PDT, o PMN, o Avante e o Solidariedade. Já Covas tem nove partidos. O vice do candidato deverá ser o presidente municipal do PDT, Antonio Neto, que realiza sua convenção amanhã.