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Vice de Covas vê Russomanno como oponente e que França vai "quebrar a cara"

O vereador Ricardo Nunes (MDB), à esquerda de Bruno Covas (PSDB); Nunes é vice na chapa encabeçada pelo atual prefeito de São Paulo, candidato à reeleição - 11.set.2020 - Reprodução/Facebook/ricardonunes.sp
O vereador Ricardo Nunes (MDB), à esquerda de Bruno Covas (PSDB); Nunes é vice na chapa encabeçada pelo atual prefeito de São Paulo, candidato à reeleição Imagem: 11.set.2020 - Reprodução/Facebook/ricardonunes.sp

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

20/09/2020 04h00

Ao explicar os motivos que levaram a sua escolha para ser vice na chapa do prefeito Bruno Covas (PSDB), o vereador Ricardo Nunes (MDB) já indica quem considera o principal oponente do tucano em sua campanha à reeleição: o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP).

"Hoje, eu estou mais ou menos entendendo um pouquinho alguns cenários que levaram à minha escolha, na minha percepção", disse Nunes em entrevista ao UOL na última quinta-feira (17). "Por exemplo, 'ah, o Russomanno é o cara que é o fiscal do consumidor, que vai lá no pequeno comerciante e humilha o cara'. Eu sou o fiscal do cara que vai no banco, que aí, sim, enfrenta o grande, faz o enfrentamento que traz resultado para a cidade, traz mais de R$ 1 bilhão para a cidade."

A relação de Nunes e Covas ficou mais próxima devido à atuação do vereador em assuntos que interessavam aos cofres da prefeitura.

Também presidente municipal do MDB, o parlamentar conduziu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Sonegação Tributária, responsável por acordos com empresas investigadas que totalizaram pagamentos de R$ 1,2 bilhão. A CPI também indicou ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) outras supostas fraudes fiscais cometidas por bancos que desviaram R$ 4 bilhões.

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Ricardo Nunes (segundo da esquerda para a direita), ao lado de Covas (centro), segurando cheque na CPI da Sonegação Tributária
Imagem: 24.jun.2019 - Gabriel Couto/CMSP

Hoje, Nunes comanda a CPI da Evasão Fiscal, que apura se empresas usam endereços de fachada para evitar pagamento de impostos na capital paulista. Ele não pretende se licenciar do cargo para a disputa.

Nunes ressalta "o resultado que a gente trouxe para a cidade". "Nunca se conseguiu fazer CPI contra banco. A gente conseguiu parar fraudes, trazer dinheiro para a cidade. Nosso trabalho levou o meu nome a ser o indicado do partido [para vice do Bruno]."

"Sonho" de ser vice

Em conversa com Covas em junho de 2019, Nunes chegou a dizer que gostaria de estar com ele na eleição deste ano. "Falei para o Bruno: 'Vou fazer um trabalho no MDB para a gente estar juntos, e eu já vou dizer o meu sonho para você: eu gostaria de ser o seu vice. Acho que eu até não tenho chance, mas eu quero externar isso. Não que exista alguma condição, algum pleito para isso, mas seria minha vontade ser seu vice'."

Conhecido dentro da Câmara, Nunes é uma figura nova para quem é de fora da zona sul da capital paulista, onde conquistou nove em cada dez dos seus quase 55 mil votos na última eleição municipal. "Eu não sou radialista, de televisão, nunca fui de candidatura ao Executivo. É natural que eu possa não ser conhecido."

Chapa pura não era "razoável"

O anúncio de que Nunes seria o vice foi feito horas antes de o PSDB realizar sua convenção, no final de semana passado. Antes, houve conversas com o jornalista José Luiz Datena (MDB), a ex-prefeita Marta Suplicy (ex-Solidariedade), o agora oponente Russomanno e políticos do PSDB.

A possibilidade de dois tucanos na chapa era mal vista por aliados consultados pelo UOL.

Não era razoável, eu acho, assim, numa aliança tão grande, ter chapa pura

O MDB foi escolhido, segundo fontes do UOL, pela conjuntura política. O Democratas, outro aliado, já possui a vice no governo estadual, comandado por João Doria (PSDB). E os partidos já tinham acertado que a vice deveria ficar com o MDB, apesar de resistência dentro do PSDB com nomes que não fossem o de Datena.

O certo pelo duvidoso

Empresário, Nunes possui uma empresa de controle de tratamento fitossanitário. Após uma tentativa de entrar na política como vereador em 1992, Nunes só voltou a pleitear uma cadeira na Câmara 20 anos depois. Neste ano, ele encerrará seu segundo mandato.

"Eu acho que muito possivelmente o Bruno deve se reeleger. Agora, se a gente perder, faz parte, né? Aí vou rever o que vou fazer. Mas isso é verdade, estou trocando o certo por uma situação que é... Não veja como arrogância, mas realmente eu teria a minha reeleição como vereador garantida. Mas o desafio de ser candidato a vice-prefeito com o Bruno, que está fazendo uma boa gestão, é algo que para mim é muito importante."

França vai "quebrar a cara"

Nunes aponta que o principal oponente, hoje, é Russomanno, cujo partido estava na base de Covas até o começo de agosto. Já Márcio França (PSB) é visto como um rival "desidratado". "Hoje, você tem a esquerda totalmente dividida. O PSOL lançou candidato [Guilherme Boulos] que está se mostrando competitivo", diz.

Além de ver Russomanno como alguém que "humilha" as pessoas, Nunes percebe Boulos como um "radical, mas importante para o debate" e França como alguém que "vai quebrar a cara" pelo tom que tem utilizado na pré-campanha. O ex-governador já fez ataques contra Covas e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL). "Quem quiser discutir campanha sem falar da campanha, vai quebrar a cara."

"Não tenho dúvida que essa coisa de esquerda, direita, de radicalismo, não é o perfil do eleitor de São Paulo, é de quem vai cuidar melhor dos problemas da cidade", diz Nunes. "Quem for nesse discurso de querer dar esse tom na campanha, eu acho que vai quebrar a cara. Dá para ver aí o Márcio França. A única coisa que ele fala é isso de Doria, de Bolsonaro."

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Covas e Nunes aparecem em fotografia com imagens religiosas no gabinete do prefeito
Imagem: 12.set.2020 - Reprodução/Facebook/ricardonunes.sp

Vice por quatro anos

Nunes diz que, se for eleito, vai ser "vice por quatro anos". A resposta vem após a pergunta sobre a possibilidade de Covas pensar em disputar o governo do estado em 2022 e também em razão da saúde do prefeito, que recebeu o diagnóstico de câncer. "Acho que essa questão da saúde dele não tem nem o que se discutir. Até me deixa desconfortável. Ele está muito bem. Vai ser prefeito os quatro anos. É um assunto até que não passa na minha cabeça."

Se eleito, Nunes vê sua participação ativa no mandato, provavelmente com uma secretaria. "Não que o Bruno tenha me prometido nada, mas nas conversas ele sinalizou que, pela minha experiência, pela minha relação com a Câmara, pela conjuntura de conhecer a cidade, eu devo estar participando mais ativamente das decisões da cidade", disse.

Católico, Nunes diz que não é conservador. "É que as pessoas misturam por eu ser católico, ir à missa do domingo, ter a minha família participando das atividades da igreja. Aí acabam, acho que por desconhecimento, destoando um pouco. Mas eu me considero uma pessoa de centro. Estou minimamente preocupado com questão de direita, de esquerda", disse. "Sou contra radicalismo. Temos que atender a todos, todos têm que ser vistos. Aí vira [candidato a] vice e as pessoas querem rotular."